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A Venezuela denunciará o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos ante as Nações Unidas por “promover intervenção militar”

Almagro responsabiliza Caracas pela crise humanitária e migratória dos venezuelanos. (Foto: Reprodução)

Caracas denunciará o secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), Luis Almagro, ante as Nações Unidas “por promover intervenção militar” na Venezuela, depois de afirmar na sexta-feira (14), na Colômbia, que essa opção não está descartada.

A informação foi dada pela vice-presidente Delcy Rodríguez no Twitter. Almagro declarou na sexta-feira que não se deve descartar “uma intervenção militar” na Venezuela para “derrubar” o governo de Nicolás Maduro, a quem responsabiliza pela crise humanitária e migratória dos venezuelanos.

A declaração do uruguaio ocorreu no momento em que tratava da migração em massa de venezuelanos. De acordo com Almagro, o governo venezuelano tem cometido “violação dos direitos humanos” e “crimes contra a humanidade”.

“Nesse caso é miséria, é fome, é a falta de remédios, que são como instrumentos repressivos para impor uma vontade política ao povo, isso é inadmissível”, afirmou. “O sofrimento do povo, no êxodo induzido que está sendo conduzido [pelo governo venezuelano], coloca as ações diplomáticas em primeiro lugar, mas não devemos descartar nenhuma ação. Quanto à intervenção militar para derrubar o regime de Nicolas Maduro, eu acho que não devemos descartar nenhuma opção.”

Não foi a primeira vez que Almagro, que foi ministro das Relações Exteriores do Uruguai 2011 a 2015 –neste último ano, assumiu a OEA –, critica o governo de Maduro. E, apesar de falar em uso militar, a organização fundada em 1948 não dispõe de tropas – suas ações estão voltadas ao campo da diplomacia, com uma estrutura que inclui, como apresenta em seu site, “diálogo político, inclusividade, cooperação, instrumentos jurídicos e mecanismos de acompanhamento”.

As declarações da Almagro, dadas em Cúcuta, cidade na fronteira com a Venezuela, após uma reunião com o presidente da Colômbia, Iván Duque, soaram mais como uma resposta ao governo de Nicolás Maduro. A Venezuela rejeitou ofertas de ajuda de outros países e informou que a atual crise humanitária pela qual o país passa faz parte de uma “campanha mundial de difamação” para derrubar Maduro.

Encontro entre militares rebeldes e representantes de Washington

O presidente venezuelano disse que iria pedir uma indenização a Bogotá devido ao número de imigrantes colombianos que vivem na Venezuela. As declarações fizeram parte da primeira manifestação pública de Maduro após o jornal americano The New York Times ter revelado um encontro entre militares rebeldes do regime e representantes de Washington, o que segundo ele comprova que países estrangeiros trabalham contra seu governo, em especial os Estados Unidos.

Relatório

Na visita de três dias à Colômbia, Almagro liderou um grupo da OEA que preparará um relatório que abordará ações de cooperação para as nações envolvidas na questão dos migrantes. Participam do grupo os coordenadores David Smolansky e Betilde Muñoz e José Miguel Vivanco, diretor-executivo
da ONG Human Rights Watch para as Américas. “Nunca vimos um governo tão imoral no mundo, que não admite ajuda humanitária quando está no meio de uma crise humanitária (…) A ajuda humanitária precisa chegar à Venezuela”, afirmou Almagro.

Para ele, a comunidade internacional não pode “permitir uma ditadura na Venezuela”, que, além de afetar sua população, causa instabilidade regional em termos humanitários e de segurança. O povo venezuelano “pagou um alto preço para recuperar sua liberdade, recuperar sua democracia e ainda não a recuperou, a comunidade internacional definitivamente tem que responder a isso”, disse ele.

O presidente colombiano defendeu o fortalecimento da pressão diplomática contra Caracas e pediu que “vários chefes de Estado” apoiem a queixa da OEA ao Tribunal Penal Internacional contra o governo de Maduro. “Continuaremos a bater nas portas do mundo inteiro para criar condições que permitam à Colômbia enfrentar essa crise migratória”, disse o ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Carlos Holmes Trujillo, que acompanhou Almagro em sua jornada.

 

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