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Acidentes com helicópteros causaram 24 mortes em 2018

No dia 1º de janeiro de 2019, um helicóptero caiu em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, e atingiu um pedestre, que morreu. (Foto: Reprodução/Corpo de Bombeiros SP)

Vinte e quatro pessoas morreram no país em 21 acidentes com helicópteros em 2018. É o maior número de mortes com esse tipo de aeronave nos últimos sete anos. Antes disso, o recorde de vítimas fatais em quedas de helicóptero foi registrado em 2011: 25 pessoas perderam a vida em 32 acidentes só naquele ano. Os dados são do Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). As informações são do jornal O Globo.

Entre as causas investigadas estão perda de controle em voo, falhas mecânicas e de equipamentos, colisão com obstáculos durante decolagem ou pouso e voo em baixa altitude. Os 21 acidentes de 2018 ainda não tiveram investigações concluídas, segundo o relatório. Também estão em aberto dez investigações sobre os 11 acidentes com helicópteros registrados em 2017.

Este ano dois acidentes com helicópteros fizeram vítimas fatais. No dia 14 de janeiro, um helicóptero de patrulhamento aéreo, com quatro pessoas a bordo, caiu na Baía de Guanabara, no Rio. O sargento Felipe Marques de Queiroz, 37 anos, morreu e outros três policiais ficaram feridos. No dia 1º de janeiro, um helicóptero caiu em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo. A aeronave fazia um voo panorâmico, com um tripulante e dois passageiros. Minutos depois da decolagem, o helicóptero teve falha no motor e caiu em na área urbana da cidade. Tripulante e passageiros sofreram ferimentos leves, mas um homem de 42 anos, que passava pelo local no momento da queda, foi atingido e morreu.

Morte de Boechat

O piloto Ronaldo Quatrucci era o dono do helicóptero que caiu com o jornalista Ricardo Boechat na segunda-feira. Ele tinha 56 anos e era considerado bastante experiente. Segundo pessoas da família, que não quiseram se identificar, ele costumava prestar serviços para autoridades e pessoas famosas, embora a aeronave não tivesse autorização para atuar no transporte de passageiros.

De acordo com o registro da empresa, a RQ Serviços Aéreos, que pertencia a Ronaldo e ao filho dele, de 24 anos, atuava em aeroreportagem, aerofotografia, aerocinematografia e inspeção aérea. A última alteração realizada pela empresa foi uma mudança de endereço, ocorrida em janeiro de 2018.

O engenheiro mecânico João Américo de Miranda, da Ultra-Rev, empresa de manutenção de aeronaves há 33 anos no mercado, afirma que o helicóptero é tão seguro quanto qualquer outro veículo projetado para voar, mas registra um número maior de acidentes em relação a outras aeronaves devido ao tipo de operação.

“O número de acidentes é um pouco maior devido à característica de operação. Nem sempre um helicóptero pousa em heliponto homologado. Muitas vezes, o piloto pousa em locais remotos, como campos de futebol, sem a segurança necessária”, explica Miranda, comparando aos aviões, que pousam e decolam de aeroportos homologados e equipados para operação de aeronaves.

Miranda ressalta, porém, que como qualquer atividade, o ser humano pode errar, e isso pode ocorrer tanto na manutenção quanto na pilotagem. Por isso, assinala, é preciso perícia para encontrar a causa de acidentes como o que matou o jornalista Ricardo Boechat e o piloto Ronaldo Quattrucci.

“O que se sabe é que ele tentou um pouso de emergência e pode ter ocorrido perda de potência do motor. O piloto era experiente e teria conseguido colocar o helicóptero no chão sem quebrar. Tinha opção de pousar no asfalto ou na área gramada à beira da estrada. Mas é muito difícil avaliar o que ocorre numa situação de pane como essa, onde tem vários fatores, como vento, altitude, rodovia e prédios”, diz o engenheiro.

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