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Ações de frigoríficos caem com nova fase da Carne Fraca

Segundo a PF, grupos fraudavam resultados de exames em amostras do processo industrial. (Foto: Reprodução)

As ações de frigoríficos recuam nesta segunda-feira (5), após a PF (Polícia Federal) deflagrar nova fase da Operação Carne Fraca e decretar a prisão de Pedro de Andrade Faria, ex-presidente do grupo BRF. Às 10h21min, os papéis da BRF ainda estavam em leilão na Bolsa.

O leilão é um mecanismo adotado pela Bolsa brasileira como proteção contra fortes oscilações de ações. No mesmo horário, os papéis da JBS caíam 2%. A Marfrig recuava 1,42% e a Minerva, 2,56%. A Bolsa brasileira tinha queda de 0,21%, para 85.584 pontos.

Segundo as investigações da PF, setores de análises do grupo e cinco laboratórios credenciados junto ao Ministério da Agricultura fraudavam resultados de exames em amostras do processo industrial, informando dados fictícios ao SIF/Mapa (Serviço de Inspeção Federal).

A prisão de Pedro de Andrade foi determinada porque o ex-presidente teria tentado acobertar as fraudes, reveladas na petição inicial da ação trabalhista de uma ex-funcionária do grupo. Quando ciente das acusações, o executivo recomendou ao então vice-presidente, Hélio Rubens Mendes dos Santos Júnior, também alvo de prisão temporária, que tomasse “medidas drásticas” para proteger a empresa.

As fraudes tinham como finalidade burlar o Serviço de Inspeção Federal, impedindo que o Ministério da Agricultura fiscalizasse com eficácia a qualidade do processo industrial da BRF. Procurada, a empresa ainda não se manifestou sobre o assunto.

“A referida operação visa apurar indícios de fraudes relacionadas à emissão de laudos por laboratórios privados e credenciados junto à Secretaria de Defesa Agropecuária por laboratório privado e acreditados na ABNT NBR ISO/IEC 17025, para sustentar o processo de controle de qualidade e a certificação de produtos para o mercado”, informou, em nota, o Ministério da Agricultura.

No Rio Grande do Sul, foram cumpridos mandados em Arroio do Meio; no Paraná, em Curitiba, Araucária, Carambeí, Castro, Palmeira, Ipiranga, Piraí do Sul, Ponta Grossa, Dois Vizinhos, Toledo e Maringá; em Goiás, em Mineiros e em Rio Verde; em Santa Catarina, em Chapecó e Treze Tílias; e em São Paulo, em Piracicaba, Santana do Paranaíba, Sorocaba, Vinhedo, São Paulo e em Porto Feliz. Os mandados judiciais foram expedidos pela 1ª Vara Federal de Ponta Grossa.

Os investigados podem responder, de acordo com a PF, por crimes como falsidade documental, estelionato qualificado e formação de quadrilha ou bando, além de crimes contra a saúde pública, entre outros. O objetivo das fraudes era burlar o SIF para permitir que o ministério fiscalizasse a qualidade do processo industrial da empresa investigada.

A primeira fase da Operação Carne Fraca, lançada em março de 2017, investigou o envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura em um esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos. Cinquenta e nove pessoas viraram rés.