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Acusado de buscar clientes da Operação Lava-Jato, advogado foi denunciado à Ordem dos Advogados do Brasil

Defensor trabalhava para prefeitura mas defendia ex-servidora municipal que tenta reverter demissão. (Foto: Reprodução)

O Tribunal de Ética da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) do Rio de Janeiro vai apurar a conduta de um advogado acusado de cooptação indevida de clientes da Operação Lava-Jato que já tinham defesa constituída.

Segundo a denúncia, feita por criminalistas do Luchione Advogados, Nythalmar Dias Ferreira Filho tem aliciado réus e investigados na operação com advogados já constituídos, sem a anuência destes. O escritório diz já ter presenciado Nythalmar “vendendo facilidades” a investigados e réus e oferecendo acordos de delação premiada.

A reclamação diz ainda que “há rumores no meio da advocacia criminal que na ilegal cooptação estaria inclusive sendo aventada a possível ‘aproximação’ com o juiz e promotores da força tarefa da Lava-Jato, no sentido de alcançar seus objetivos”. O juiz a que se referem é Marcelo Bretas, titular da 7ª Vara Federal Criminal do Rio.

Nythalmar nega todas as acusações. Por e-mail, negou que tenha cooptado clientes de outros advogados e afirmou que preza pela ética e boas práticas. Dono de um pequeno escritório no Rio de Janeiro, Nythalmar Dias Ferreira Filho tem chamado atenção pelos clientes conquistados. Antes defendidos por bancas renomadas, Fernando Cavendish e Pedro Corrêa são alguns dos que decidiram migrar para o escritório de Nythalmar.

Segundo o jornal O Globo, o advogado teria ainda tentado conquistar o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, mas este teria negado a proposta de mudar de advogado. A ascensão do Nythalmar foi narrada em reportagem da Folha de S.Paulo.

Cooptação ilegal

No documento enviado à OAB, o Luchione diz ter presenciado três casos em que Nythalmar cooptou investigados e réus que já tinham advogados. No primeiro, ele foi visto conversando com dois clientes do escritório enquanto esperavam o início de uma audiência, na sede da Justiça Federal no Rio.

De acordo com a representação, o cliente relatou ao representante do Luchione que Nythalmar o advertiu a mudar de advogado e de estratégia de defesa, ou seria condenado a 25 anos de prisão. O relato foi repetido por outra pessoa depois da audiência.

Outra situação narrada na denúncia diz que Nythalmar abordou um réu que estava preso em Bangu 8. Lá novamente criticou a atual defesa e afirmou que ele seria condenado a 40 anos de prisão. Na sequência, tentou induzir o réu a fazer um acordo de delação premiada.

Além destes três fatos envolvendo clientes da Luchione Advogados, a denúncia diz que há outras bancas que confirmam a conduta de Nythalmar, algumas até mesmo narradas em reportagens, como a tentativa de conquistar a defesa de Sérgio Cabral.

Segundo a representação, um dos advogados chegou até a expedir notificação extrajudicial pedindo que Nythalmar deixasse de fazer qualquer contato com seu cliente.

“As previsões normativas resguardam que o advogado constituído não seja aturdido com uma avença arranjada à sorrelfa por um outro advogado diretamente com o seu cliente e sem o seu prévio conhecimento”, diz a denúncia, pedindo que o Tribunal de Ética da OAB-RJ aplique a pena de suspensão/censura. O advogado Nythalmar emitiu nota lamentando o caso.

“Lamento o teor da nota lançada, vez que esse advogado nunca cooptou clientes de outros advogados, preza pela ética e boas práticas, o que será devidamente provado na esfera competente. Chega a ser compreensível a inconformidade de alguns escritórios tradicionais, face aos êxitos alcançados por um jovem advogado, o que prova e incentiva aos novos advogados, de que não há monopólio no mercado. Todos podem brilhar”, diz um trecho. (Conjur)

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