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Apesar da euforia inicial do mercado financeiro com o resultado das eleições no primeiro turno, um possível governo de Bolsonaro é visto com cautela por executivos de bancos

Embora as propostas do presidenciável para a economia apontem para a direção que consideram correta, ainda há pouca clareza sobre como serão implementadas. (Foto: Agência Brasil)

Apesar da euforia inicial do mercado financeiro com o resultado das eleições no primeiro turno, um possível governo de Jair Bolsonaro (PSL) é visto com cautela por executivos de bancos de varejo. A leitura é que, embora as propostas do presidenciável para a economia apontem para a direção que consideram correta, ainda há pouca clareza sobre como serão implementadas.

Bolsonaro tem o benefício da dúvida, até porque o setor rechaça a política econômica adotada no governo Dilma Rousseff (PT). Mas seis fontes ouvidas pelo Valor – especialmente as ligadas ao crédito – aguardam um detalhamento das medidas e avaliam que a economia real levará tempo para reagir de forma mais consistente.

Falta projeto ao presidenciável do PSL tanto quanto a Fernando Haddad (PT), afirma um diretor de uma importante instituição financeira. Embora divergentes, os dois programas são vagos, segundo essa fonte, que falou sob a condição de anonimato.

Outra preocupação manifestada pelo executivo é que muitas das medidas que a equipe de Bolsonaro propõe dependem de maioria de dois terços no Congresso – algo não tão simples de conseguir, apesar da base construída pelo PSL nas urnas.

Essa fonte, que atua no segmento de varejo, observa que o crédito já vem se recuperando com a estabilização da economia nos últimos dois anos e bastaria “não mexer muito” para continuar melhorando. “O ideal era manter a equipe econômica atual e o crédito andaria por conta própria”, afirma.

O presidente do BC (Banco Central), Ilan Goldfajn, já foi sondado por assessores de Bolsonaro sobre o interesse em permanecer no cargo, mas não se manifestou até o momento.

Um executivo de outro banco avalia que a negociação com o Legislativo não será fácil, e esse ponto é crucial para a aprovação das reformas. Para essa fonte, é importante que o próximo presidente aprove a reforma da Previdência em um prazo curto, de seis meses, para sustentar sua credibilidade. “Agilidade é a questão. Tem que saber fazer com maestria”, diz.

Questionado se está otimista com a vantagem obtida pelo candidato do PSL no primeiro turno, esse interlocutor afirma que 2019 será “desafiador, mas é preciso acreditar no País”. Ele observa que os pequenos empresários estão tocando seus negócios, até porque “não têm plano B”, enquanto os grandes esperam para ver o que o resultado das urnas representará para a economia.

Na quinta-feira (11), a Bolsa caiu e o real se desvalorizou em reação ao cenário externo e a declarações de Bolsonaro e do deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) indicando que não vão encampar a proposta do governo Michel Temer para a Previdência. O presidenciável também mostrou resistência à privatização da Eletrobras.

A relação de Bolsonaro com seu assessor econômico, Paulo Guedes, também causa preocupação. Liberal, o economista é bem-visto pelos executivos de bancos, mas considerado de temperamento forte. O temor é que ele acabe desembarcando se não tiver autonomia para agir. “Guedes é menos paciente que Joaquim Levy [ministro da Fazenda de Dilma], que aguentou por um tempo a interferência do governo em medidas fiscais”, diz um diretor de banco.

Mesmo que as medidas de ajuste fiscal venham, levará pelo menos um ano até que os efeitos positivos sejam sentidos na economia real, afirma um executivo próximo do mercado de recuperação de crédito. A expectativa dele é que o desemprego recue aos poucos e o PIB cresça entre 1% e 2% por ano durante os próximos três ou quatro anos.

Fontes de bancos de investimentos, em contrapartida, estão bem mais otimistas. Segundo um executivo de uma instituição estrangeira com operação no País, é incomparável a melhoria no ambiente institucional para o País trazida por Bolsonaro em relação a Haddad.

 

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