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Apicultores simularam um enterro de abelhas em Paris para protestar contra o uso de pesticidas

As taxas de mortes de abelhas em algumas regiões francesas chegam a catastróficos 80%. (Foto: Repeodução)

Apicultores e ambientalistas simularam um enterro de abelhas em Paris nesta quinta-feira (7) para protestar contra os pesticidas que, dizem, estão matando insetos cruciais para o ecossistema.

Usando máscaras e macacões de apicultor, alguns manifestantes ficaram deitados em caixões enquanto outros permaneceram de pé e de cabeça baixa ao som de um clarim durante a cerimônia, realizada em um trecho arborizado perto do museu Les Invalides.

Ambientalistas dizem que as colônias de abelha da Europa Ocidental foram devastadas pelo uso de neonicotinoides, um grupo de pesticidas baseado na estrutura química da nicotina.

Os apicultores franceses pressionaram o governo a adotar mais ações para proteger seu meio de vida. “Já se fala nisso há 20 anos, mas nada foi feito a respeito”, disse um ativista. “Haverá uma grande repercussão, e no curtíssimo prazo”, disse outro, ambos caracterizados como apicultores.

Um tribunal da União Europeia manteve nesta quinta uma proibição parcial a três neonicotinoides, dizendo que a Comissão Europeia agiu certo em restringir seu uso em 2013 para proteger as abelhas. A restrição significa que eles não podem ser usados no milho, na semente de colza e em alguns cereais de primavera.

Os fabricantes de produtos químicos para a lavoura argumentaram que foi provado empiricamente que uma queda global no número de abelhas não pode ser atribuída tão somente aos pesticidas neonicotinoides.

A cerimônia ocorreu dias depois de parlamentares falharem em garantir a inclusão de uma suspensão do uso de glifosato – muito empregado em herbicidas – em uma nova legislação mesmo depois de o presidente francês, Emmanuel Macron, ter prometido sua proibição no período de três anos.

Inverno

A questão é crítica para agricultores e população na França. As taxas de mortes de abelhas no país, após o inverno, não deveriam exceder os 5%. No entanto, em algumas regiões francesas, o índice de insetos polinizadores mortos chega a catastróficos 80%. Um estudo publicado no fim de 2017, que analisou diversas zonas protegidas, constatou que cerca de 75% dos insetos voadores desapareceram da Europa ocidental devido à intensificação de áreas ágricolas, com uso de pesticidas.

Os apicultores ainda não calcularam precisamente suas perdas. Convidado surpresa da manifestação de Paris, o ministro da Ecologia da França, Nicolas Hulot, disse que é preciso fazê-lo o mais rapidamente possível, para identificar “medidas de emergência” a serem tomadas. “Eu quero ser seu melhor mediador e embaixador”, prometeu, num momento em que os apicultores não se sentem ouvidos pelo Ministério da Agricultura e apelaram diretamente para o presidente Macron.

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