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Apontado como sendo o operador do PSDB, Paulo Preto decidiu que não fará delação premiada

O ex-diretor da Dersa é réu na Justiça Federal de São Paulo em um processo que o acusa de desviar R$ 7 milhões. (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

O engenheiro Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, e tido como operador do PSDB, decidiu que não buscará, por enquanto, nenhum acordo de delação premiada com as autoridades.

Diante do ritmo acelerado das investigações contra ele, Souza, que foi diretor da Dersa (a empresa responsável por obras rodoviárias de São Paulo) em governos do PSDB, vinha refletindo sobre a possibilidade de colaborar com a Justiça.

Ele chegou a ser preso em abril, sob a suspeita de desviar R$ 7,7 milhões destinados ao realojamento de pessoas deslocadas para a construção do trecho sul do Rodoanel, em SP. As irregularidades teriam ocorrido durante as gestões dos governadores José Serra e Geraldo Alckmin.

Acabou sendo solto na última sexta-feira (11), depois de passar mais de um mês na prisão. Em reunião com a família e advogados, comunicou que decidiu não delatar e afirmou que vai enfrentar as acusações que pesam contra ele.

O engenheiro é investigado também por manter o equivalente a R$ 121 milhões em contas secretas na Suíça. De acordo com documento sigiloso enviado ao Brasil pelas autoridades suíças, Souza abriu quatro contas no banco Bordier & Cie, em Genebra. 

Entre 2007 e 2009, quando o engenheiro era diretor da Dersa, durante o governo de José Serra em São Paulo, elas receberam “numerosas entradas de fundos”, ainda de acordo com o comunicado do Ministério Público da Confederação Suíça.

As contas tinham saldo de US$ 34 milhões quando o engenheiro decidiu transferir os valores para as Bahamas, em 2017. Ele já estava sendo investigado na Suíça e corria o risco de ter os recursos bloqueados.

Pedido de prisão

A Justiça negou na terça-feira (15) um novo pedido de prisão preventiva contra o ex-diretor da Dersa.

Na segunda-feira (14), a procuradora Adriana Scordamaglia havia pedido para que o engenheiro fosse preso novamente após ele não comparecer a uma audiência do processo.

“Deixar passar em branco tal desídia [desleixo] significa desacreditar que a Justiça de primeiro grau tem extremado valor para todo o sistema jurídico brasileiro”, afirmou a procuradora. Paulo Preto foi solto após um habeas corpus concedido pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes.

Em despacho publicado na noite da última terça, a juíza Maria Isabel do Prado, na 5ª Vara Federal Criminal em São Paulo, diz reconhecer as razões apontadas pelo Ministério Público para a decretação de medidas cautelares. Ela afirma, no entanto, que, como não consta dos autos a intimação formal de Paulo Preto para a audiência, não decretará sua prisão, apesar de a defesa ter confirmado “a ciência do acusado”.

 

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