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Após a reconstituição da morte do marido da deputada federal Flordelis, a polícia encontra “contradições” em depoimentos

Anderson com Flordelis. O pastor foi morto na madrugada de 16 de junho. (Foto: Reprodução/Instagram)

Os nove disparos, feitos por um policial em direção a um latão de alumínio recheado de areia, às 3h40min deste domingo (22), foram o último passo da reconstituição da morte do pastor Anderson do Carmo, marido da deputada federal Flordelis.

Os tiros, por coincidência, foram disparados no mesmo horário do crime. Segundo Bárbara Lomba, delegada titular da Divisão de Homicídios de São Gonçalo e Niterói, no Rio de Janeiro, a reconstituição foi importante para encontrar contradições em depoimentos já prestados pelas testemunhas:

“Houve algumas contradições que continuam nos indicando o caminho que havíamos conseguido nas investigações. Ajudou porque na hora de reproduzir, as pessoas as vezes não sustentam o que foi falado em outro ambiente”, contou a delegada.

Após a simulação de cinco horas e meia, a investigação ainda não descartou que um segundo atirador tenha participado do crime. A deputada Flordelis também participou da reconstituição. De acordo com Bárbara Lomba, em alguns pontos ditos por ela em seu depoimento não corresponderam com a declaração dada durante a simulação.

“A deputada basicamente falou o que havia falado na delegacia, mas em alguns pontos não se recordou. Houve alguns pontos que as declarações aqui não corresponderam o que havia sido dito na delegacia”, comentou.

Segundo o advogado da deputada, ela respondeu a todas as perguntas e somente não soube precisar a quantidade de tiros ou as pessoas que estavam ao lado dela no momento dos disparos. Ele ainda afirmou que Flordelis ainda não teve contato com os filhos acusados de terem matado o pastor Anderson do Carmo: “Ela estava tranquila, mas abalou muito ela psicologicamente, principalmente a hora dos disparos. Ela ficou bastante abalada”, comentou.

Apesar de presentes, Lucas dos Santos e Flávio dos Santos, apontados pela polícia como autores do crime, não participaram da reconstituição. Os dois chegaram à casa de Flordelis em momentos diferentes da reconstituição. Lucas chegou por volta das 22h, e, apesar de ter sinalizado em um primeiro momento que participaria da simulação, voltou atrás e não cooperou com os policiais.

Já Flávio, chegou na madrugada no momento em que Daniel dos Santos de Souza, de 21 anos, um dos filhos do casal, indicava aos policiais como havia encontrado o pai já baleado. Como já havia afirmado que não iria participar da simulação, Flávio só deixou a viatura da polícia por cerca de um minuto, para assinar oficialmente sua recusa de colaborar.

“Nós reproduzimos com base no que eles falaram na delegacia, mas seria o ideal que eles tivessem participado. É direito deles não ter participado. Acredito que seja estratégia da defesa. Viemos preparados para que participassem”, afirmou Bárbara Lomba.

Defesa: reconstituição teve “muitas falhas”

Advogados dos dois suspeitos e da deputada Flordelis acompanharam o trabalho da perícia. Mas, segundo Anderson Rollemberg, advogado de Flávio, houve falhas no trabalho dos policiais. Rollemberg afirma que a reprodução dos tiros não foi fidedigna ao que aconteceu na noite do crime.

“Não foi uma reconstituição 100% aproveitável. Posso dizer que teve muitas falhas. Por exemplo, os disparos feitos no tambor de areia. Todos aqui perceberam que os baraulhos eram abafados. Não pareciam disparos. Parecia um metalúrgico batendo em um tambor”,  reclamou.

O advogado de defesa de Flávio ainda afirmou que seu cliente não participou da simulação porque a polícia não teria permitido que ele participasse com uma nova versão dos fatos: “A reconstituição foi feita em base ao depoimento que ele supostamente teria confessado o crime. Não foi permitido ele participar com a versão nova, a versão verdadeira”, comentou Rollemberg.