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Após cinco dias de julgamento, os quatro acusados pela morte do menino Bernardo foram condenados à prisão

Evandro (ao centro, de azul) recebeu a menor pena, que será cumprida no regime semiaberto. (Foto: Divulgação/TJ-RS)

Após cinco dias de sessões no Fórum da Comarca de Três Passos, no início da noite dessa sexta-feira o júri do caso Bernardo chegou a uma decisão, considerando culpados todos os quatro réus no processo sobre o assassinato do menino de 11 anos, em 4 de abril de 2014. Ele foi vítima de uma overdose de sedativos e teve o corpo encontrado em uma cova rasa no município de Frederico Westphalen, dez dias depois.

A maior sentença foi aplicada à enfermeira Graciele Ugulini, madrasta da vítima: 34 anos e sete meses de prisão por homicídio quadruplamente qualificado (motivo torpe, fútil, com emprego de veneno e mediante dissimulação) e ocultação de cadáver. Para o médico Leandro Boldrini, pai da criança, uma pena ligeiramente menor: 33 anos e oito meses pelos mesmos crimes, mais falsidade ideológica.

Já a assistente social Edelvânia Wirganovicz, amiga de Graciele, recebeu 23 anos e quatro meses de cadeia por homicídio triplamente qualificado e um ano e seis meses por ocultação de cadáver. O motorista Evandro Wirganovicz, irmão dela, teve a punição menos severa: nove anos e seis meses por ocultação de cadáver.

Os condenados não poderão recorrer em liberdade da decisão, mas no caso de Evandro há uma diferença. Por estar preso há quatro anos e 11 meses (a exemplo dos demais), já cumpriu um sexto da sentença que recebeu agora, o que permite que ele já passe a cumpri-la no regime semi-aberto, conforme previsto pela Lei de Execução Penal.

Semana movimentada

Com 24 mil habitantes e localizada no Norte do Rio Grande do Sul, a 473 quilômetros de Porto Alegre, a cidade de Três Passos teve a sua rotina movimentada durante a semana. As atenções se voltaram para o Fórum local, onde desde a segunda-feira foram ouvidos réus, testemunhas, advogados e promotores do Ministério Público.

O quinto e último dia de trabalhos foi marcado por aproximadamente oito horas de debates, réplicas e tréplicas entre defesa e acusação. No fim da tarde, as portas do plenário foram fechadas ao público, com reabertura às 18h45min. Já passavam das 19h quando a juíza Sucilene Engler leu o veredito do conselho de sentença, formado por sete pessoas.

Manifestação

Cerca de meia hora após o resultado do julgamento, um grupo de moradores de Três Passo fez uma caminhada noturna em homenagem a Bernardo Boldrini, que se estivesse vivo teria hoje 16 anos. A manifestação havia sido convocada por meio das redes sociais, a exemplo de atos anteriores pedindo justiça.

Eles se concentraram próximo ao Fórum e percorreram as ruas até a casa onde o menino vivia com o pai, a madrasta e uma irmã, ainda bebê na época do crime. “Em teu descanso eterno, o pedido de Justiça foi escutado. Descansa, nosso gurizinho, você é o nosso anjo”, dizia um texto postado no Facebook.

O crime

Segundo as investigações da Polícia Civil e a denúncia do Ministério Público, o pai e a madrasta de Bernardo planejaram e participaram diretamente da execução do crime em todas as etapas, com o auxílio da amiga dela (mediante oferecimento de vantagens financeiras) e de seu irmão.

Eles teriam conduzido a vítima até o local de sua morte (decorrente de overdose induzida de sedativos por via oral e intravenosa), além de combinaram versões, posteriormente, para apresentar álibis.

O assassinato teria sido cometido, basicamente, por dois motivos: o casal não queria partilhar com o Bernardo os bens deixados pela mãe dele (que havia se suicidado em 2010) e porque o garoto era considerado “um estorvo” (segundo testemunhas e gravações) à nova configuração familiar decorrente do segundo casamento do pai, que gerou uma filha, meia-irmã de Bernardo.

(Marcello Campos)

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