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Após a declaração de Donald Trump sobre uma possível ação militar na Venezuela, o governo brasileiro diz que o uso da força é inaceitável

Reunião de chanceleres sobre a Venezuela. (Foto: Divulgação)

Depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que não descarta uma “opção militar” na Venezuela, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro divulgou uma nota para reafirmar que a posição do Mercosul é de “repúdio à violência e qualquer opção que envolva o uso da força” no país vizinho.

Na nota, o Itamaraty lembra que o Mercosul já decidiu, no último dia 5, manter a Venezuela suspensa do bloco em razão da ruptura democrática no país vizinho e que “desde então, aumentaram a repressão, as detenções arbitrárias e o cerceamento das liberdades individuais”.

O ministério pontua que os países do Mercosul consideram que os únicos instrumentos viáveis para a promoção da democracia na Venezuela são o diálogo e a diplomacia.

“Os países do Mercosul continuarão a insistir, de forma individual e coletiva, para que a Venezuela cumpra com os compromissos que assumiu, de forma livre e soberana, com a democracia como única forma de governo aceitável na região. O governo venezuelano não pode aspirar ao convívio normal com seus vizinhos na região enquanto não for restaurada a democracia no país”, afirma ainda a nota do Itamaraty.

Na sexta-feira (11), o governo peruano também anunciou a expulsão do embaixador da Venezuela em Lima. A decisão foi tomada após uma nota de protesto ser emitida pelo governo de Caracas em razão da Declaração de Lima – documento assinado pelos chanceleres de 17 países da América Latina considerando que não existe democracia na Venezuela.

“Opção militar”

O presidente norte-americano Donald Trump afirmou na sexta-feira (11) que considera muitas opções para a Venezuela, incluindo uma opção militar.

“Temos muitas opções para a Venezuela, incluindo uma possível opção militar se for necessário”, disse o presidente em seu clube de golfe em Bedminster, onde está de férias. A afirmação foi feita após uma reunião com o secretário de Estado, Rex Tillerson; o assessor de Segurança Nacional, H. R. McMaster e a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley.

No final de julho, os EUA lançaram sanções contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro, congelando seus ativos no país, e o chamaram de ditador, um dia após a eleição da Assembleia Constituinte convocada por Maduro. O país também aplicou sanções a atuais e ex-funcionários da Venezuela com ligações à Constituinte.

Nesta quinta, em seu primeiro discurso na Assembleia Constituinte, Maduro disse que queria se reunir com Trump. O presidente instruiu o ministro de relações exteriores a abordar os EUA sobre uma conversa telefônica ou uma reunião com o americano.

Maduro, que antes já tinha dito para Trump “tirar suas mãos sujas” da Venezuela, afirmou no discurso que quer uma forte relação com os Estados Unidos, como a que tem a com a Rússia. “Senhor Donald Trump, aqui está a minha mão”, disse. (ABr/AG)

 

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