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O diretor-geral da Polícia Federal prestará esclarecimentos a um ministro do Supremo na segunda. Ele terá que explicar a declaração de que um inquérito contra Michel Temer pode ser arquivado

Segovia viu a adesão ao seu nome rapidamente diminuir entre os colegas. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

O diretor-geral da PF (Polícia Federal), Fernando Segovia, irá responder aos questionamentos do ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), na próxima segunda-feira (19), de acordo com o gabinete do magistrado. A reunião está marcada para as 17h.

No último sábado, Barroso mandou intimar Segovia para esclarecimentos, após Segovia, em entrevista à agência de notícias Reuters, indicar que a tendência é que as investigações contra o presidente Michel Temer sobre o Decreto dos Portos sejam arquivadas. Barroso é relator do inquérito, em tramitação na Corte.

“Tendo em vista que tal conduta, se confirmada, é manifestamente imprópria e pode, em tese, caracterizar infração administrativa e até mesmo penal, determino a intimação do Senhor Diretor da Polícia Federal, delegado Fernando Segovia, para que confirme as declarações que foram publicadas, preste os esclarecimentos que lhe pareçam próprios e se abstenha de novas manifestações a respeito”, diz o despacho de Barroso.

Por meio de nota, Segovia afirmou na última semana que “em momento algum disse à imprensa que o inquérito será arquivado”. “Afirmei inclusive que o inquérito é conduzido pela equipe de policiais do GInqE com toda autonomia e isenção, sem interferência da Direção Geral”, afirmou o diretor-geral da PF.

Na intimação feita em pleno plantão de sábado, Barroso ainda pediu que o Ministério Público Federal, como órgão de controle externo das atividades policiais, também tome as providências “que entender cabíveis”.

Pressão

Delegados da PF consideraram insatisfatórias as explicações do diretor-geral da corporação, Fernando Segovia, para a entrevista em que opinou sobre a investigação do decreto presidencial que beneficiou operadores de portos.

Eles lembram que esta foi a segunda vez que Segovia apontou fragilidades em um inquérito sobre o presidente Michel Temer e pressionam a associação nacional da categoria a pedir em público seu afastamento do cargo se não houver retratação.

Ao assumir a função, em novembro, Segovia disse que a mala de dinheiro entregue por um diretor da JBS ao ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor do presidente Michel Temer, era insuficiente como prova de corrupção.

Dirigentes da associação dos delegados decidiram aguardar a resposta que Segovia dará após o Carnaval ao ministro Luís Roberto Barroso, relator do inquérito no STF. Esperam que o diretor-geral admita que errou e deixe claro que o delegado do caso, Cleyber Lopes, não será perseguido.

Advogados que acompanham as investigações observam que há no episódio uma supervalorização do poder de Segovia para proteger Temer. Afinal, quem vai decidir se as provas são suficientes para levar o caso à Justiça é o Ministério Público, não a polícia.

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