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Após um deputado do PSL falar em troca de cargos por votos, o ministro da Secretaria de Governo disse que não vê problemas em indicações políticas

Santos Cruz (foto) ressaltou, sem citar o caso de Julian Lemos diretamente, que indicados precisam ter capacidade técnica. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz, afirmou no sábado (16) que não vê problemas em indicações políticas, desde que os indicados tenham capacidade técnica. Santos Cruz deu a declaração após ser questionado sobre o áudio em que o deputado federal Julian Lemos (PSL-PB) fala sobre a indicação de cargos em troca de votos, revelado pelo jornal O Globo, mas sem comentar diretamente o caso.

“Não tem problema nenhum que você tenha indicações de interesse político. Quando você junta esse interesse político, essa afinação administrativa, com a capacidade técnica, está tudo bem. O que está errado é você fazer às vezes uma indicação de uma pessoa que não tem capacidade”, disse o ministro, na saída de um almoço promovido pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia.

Segundo Santos Cruz, todo governo realiza trocas em cargos, para dar o seu “toque”: “Esse negócio de cargos, é o seguinte: em qualquer país do mundo, quando troca governo, você troca uma série de pessoas em algumas posições. Não é porque o anterior é ruim, não é nada disso, é porque você tem uma nova administração e todo governo dá um toque na administração, com as características daquele governo.”

Na gravação, um telefonema de 12 minutos a que O Globo teve acesso, o deputado Gulliem Lemos, conhecido como Julian Lemos, relata ao secretário-geral do PSL na Paraíba e assessor do Ministério do Turismo, Fabio Nobrega Lopes, que conseguiu junto à Casa Civil garantir para si a prerrogativa de indicar nomes para cargos de direção na Funasa (Fundação Nacional da Saúde) da Paraíba e na sede regional do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). Lemos também relata que outros parlamentares buscam ou buscarão acordos semelhantes, com o objetivo de obter cargos na administração federal em troca de votos.

Na conversa, Lemos conta que vai conseguir, “logo de cara”, as indicações para a Funasa e o Incra e diz que ainda tentará “pegar um terceiro negócio”. O interlocutor concorda e afirma que a Funasa “é forte demais”. Procurado, o deputado disse que pedirá à Polícia Federal que investigue a origem da gravação, que chamou de “grampo ilegal”.

“O áudio é crime. É uma violação gravíssima, uma agressão, um fato grave. Isso aí vai rolar Polícia Federal. É extremamente absurdo isso. Não tem nada que desabone, única coisa que vejo criminosa é a gravação ilegal. Sou um deputado federal, imagine se os deputados agora têm seu sigilo telefônico quebrado”, disse.

Feita sem o conhecimento dos dois interlocutores, a gravação de fato surgiu a partir de um grampo telefônico, segundo informou uma fonte ao Globo. Sem citar nomes, Julian Lemos atribuiu o grampo a adversários políticos.

“Descobri a fonte, descobri tudo, foi uma armaçãozinha que fizeram. Estou pegando mais informação para chegar aonde quero. É coisa minha”, disse Lemos.

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