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Aplicativo espião do Facebook coletou dados de 187 mil pessoas

A operação foi deflagrada em 2017 e investigou uma rede de narcotraficantes. (Foto: Reprodução)

O Facebook coletou dados pessoais de 187 mil usuários por meio do seu app espião Facebook Research, que foi banido da loja de aplicativos da Apple este ano por violar as regras de conduta da plataforma. A notícia é do site TechCrunch, que teve acesso a documentos sobre o assunto.

A rede social revelou detalhes sobre caso em um carta enviada ao senador norte-americano Richard Blumenthal. A empresa disse que coletou dados de 31 mil usuários nos Estados Unidos, incluindo 4,3 mil adolescentes – a maioria das informações foi coletada de usuários da Índia.

O Facebook está prestando esclarecimentos para autoridades devido a um caso revelado no fim de janeiro, pelo TechCrunch. A reportagem dizia que o Facebook pagava US$ 20 ao mês para usuários que topassem usar um aplicativo de pesquisa da companhia, o Facebook Research. A opção estava disponível para usuários de smartphones entre 13 e 35 anos nos Estados Unidos e na Índia.

Esta semana, o Facebook relançou o seu aplicativo de pesquisa com o nome de Study – ele estará disponível na loja de aplicativos do Google para usuários que forem aprovados por um parceiro de pesquisa do Facebook, a empresa Applause. O Facebook disse que será transparente em relação à coleta os dados dos usuários. O vice-presidente de políticas públicas do Facebook, Kevin Martin, defendeu a companhia dizendo que pesquisas como essa são uma “prática relativamente conhecida na indústria”.

Entenda o caso

Segundo o site TechCrunch, o app espião Facebook Research dava acesso total às ações informações do usuário no celular para a rede social de Zuckerberg. Entre as informações coletadas pelo Facebook estavam as conversas privadas trocadas pelo WhatsApp e Facebook Messenger, além de buscas e atividades de navegação e fotos de compras feitas no site da Amazon.

Segundo a publicação, o programa, chamado de Project Atlas, tem funcionamento semelhante ao do aplicativo de VPN (virtual private network, em inglês) Onavo, banido da loja de aplicativos oficial da Apple em agosto do ano passado. No dia seguinte à reportagem do TechCrunch que relevou as práticas do Facebook Research, a Apple bloqueou e retirou o aplicativo de sua loja.

E-mails

Algumas correspondências antigas de Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, estão causando dores de cabeça a seus funcionários. Durante uma investigação da Comissão Federal de Comércio (ou simplesmente “FTC”) dos Estados Unidos, e-mails velhos do executivo “podem implicá-lo práticas problemáticas de privacidade”. As informações são do Wall Street Journal.

De acordo com a reportagem, a investigação do órgão se dá por uma acusação de violação supostamente perpetrada pelo Facebook em relação à privacidade dos seus usuários, conhecida como “decreto de permissão” (consent decree, no jargão jurídico em inglês). A empresa busca um acordo junto à FTC para resolver a situação rapidamente, mas os e-mails descobertos durante a investigação prometem complicar a situação do CEO.

Isso porque, segundo fontes anônimas ligadas à empresa e que falaram ao Journal, o acordo ambicionado pela rede resolveria acusações de que o Facebook “enganou consumidores ao dizer-lhes que poderiam manter privadas as suas informações, e repetidamente permitindo que estas informações fossem compartilhadas e tornadas públicas”. A fim de se evitar punições, a exigência era a de que o Facebook obtivesse permissão expressa antes de compartilhar informações de usuários além de suas configurações de privacidade. Mais além, a rede deveria implementar novas práticas de privacidade para proteger os dados de seus consumidores.

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