Últimas Notícias > Atividades Empresariais > Porto Alegre recebe segunda edição do SugarCake Show

Argentinos correm aos bancos para sacar dólares

(Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

Os argentinos estão retirando dólares dos bancos e preferindo mantê-los em casa desde que a derrota do presidente Maurício Macri nas eleições primárias provocou a queda do peso. Os poupadores retiraram mais de US$ 700 milhões de suas contas em dólares na segunda e terça-feiras, segundo dados oficiais. As informações são do jornal O Globo.

O montante é equivalente a 2,3% do total de depósitos feitos com a moeda americana no sistema financeiro. Representa também, em termos percentuais, o maior volume resgatado em mais de cinco anos.

Na quinta-feira, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o Brasil pode sair do Mercosul caso a oposição vença a eleição presidencial da Argentina, em outubro, e mude a política de abertura comercial de Macri. Caso o Brasil deixe o bloco comercial, até preço do pãozinho seria afetado, afirmam analistas.

Embora estejam acostumados com crises cambiais, muitos argentinos ainda estão traumatizados com o chamado “corralito” – as medidas econômicas implementadas em 2001 pelo governo para congelar contas bancárias e evitar as retiradas de dólares.

Esses dólares são considerados parte das reservas externas brutas do banco central, e as retiradas ajudam a explicar por que as reservas caíram US$ 2,6 bilhões nesta semana, chegando a US$ 63,7 bilhões.

As reservas estrangeiras também estão caindo porque a autoridade monetária está vendendo dólares para reforçar o peso – somente esta semana, US$ 503 milhões foram utilizados em intervenções no mercado monetário.

Turbulências

Nos últimos 19 anos, a Argentina teve momentos de forte crescimento econômico, em sintonia com outros países da região e com uma onda global favorável aos emergentes, mas desde o segundo mandato de Cristina Kirchner a situação entrou em deterioração. Em 2011, quando Cristina foi reeleita, a economia cresceu 6%. No ano seguinte, o PIB caiu 1%, e desde então a Argentina nunca mais alcançou uma taxa de crescimento de 3%.

Após o calote da dívida, em 2001, e o fim da paridade entre o dólar e o peso, no início de 2002, a economia entrou em recuperação, conseguindo em cinco anos reduzir pela metade a taxa de pobreza, que chegou a 55% em 2002. Néstor Kirchner (2003-2007) implementou um agressivo programa de projetos sociais que foi possível graças à bonança para países exportadores de produtos primários.

O modelo, no entanto, levou a um progressivo aumento do déficit fiscal. Parte dele se deveu aos subsídios aos serviços públicos, pelos quais durante anos os argentinos pagaram as tarifas mais baixas da região.

Quando Mauricio Macri assumiu, em dezembro de 2015, recebeu um país em situação fiscal delicada, isolado dos mercados e ainda em conflito com credores externos em tribunais internacionais. O mercado cambial estava sob controle estatal, as estatísticas públicas sob suspeita de manipulação, e inflação, pobreza e desemprego mostravam tendência crescente.

O presidente disse que recebeu uma herança pesada e que seria necessário um ajuste antipático, com um esforço de toda a população, para normalizar a economia. O fim dos subsídios aos serviços levou a um tarifaço de até 800%, o câmbio foi liberado, a renegociação da dívida foi concluída e a Argentina voltou aos mercados externos. Dois anos depois, os resultados não foram os esperados, e foi preciso pedir um socorro de US$ 57 bilhões ao Fundo Monetário Internacional, maior crédito já concedido pelo organismo.

Deixe seu comentário: