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As mulheres ganham quase 37% a menos do que os homens no Rio Grande do Sul

Levantamento abrangeu 192 empresas (44 pequenas, 71 médias e 77 grandes). (Foto: Agência Brasil)

Apesar de serem maioria no Rio Grande do Sul, com 51,3% do total de habitantes, as mulheres ainda não alcançam representação proporcional no mercado de trabalho: o segmento feminino tem participação restrita a 45,6% da população economicamente ativa, ganha menos e é mais afetado pelo desemprego, já que representa mais da metade do total de desocupados.

Ainda que mais escolarizadas, em média, do que os homens, as mulheres gaúchas seguem em desvantagem quando se trata dos rendimentos do trabalho tanto no agregado nacional, quanto no Rio Grande do Sul. No final do ano passado, em média os homens recebiam, no Estado, 36,8% a mais que as mulheres, uma diferença ainda mais acentuada que no total do Brasil (28,4%).

Esses e outros dados constam em um estudo produzido pelo DEE (Departamento de Economia e Estatística) e lançado nessa quarta-feira pela Seplag (Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão). O documento organiza informações sobre as mulheres na economia gaúcha, observando-se características populacionais, mercado de trabalho, participação política e os aspectos relativos à violência de gênero.

“O nosso desafio é fazer com que o assunto não fique restrito apenas a este mês, quando se comemora o Dia da Mulher [8 de março]”, destaca a titular da Seplag, Leany Lemos. Primeira mulher a comandar a pasta no Executivo estadual gaúcho, ela disse que o trabalho do DEE servirá de ponto de partida para definir políticas prioritárias nos próximos quatro anos, por meio de um diagnóstico amplo.

O levantamento compreende uma série de outras questões, algumas delas indo além da inserção da população feminina no mercado laboral. Na política, por exemplo, a representação política ainda é um desafio para elas, mesmo que os números apontem um número maior de anos de estudo completo que os homens e uma presença na Assembleia Legislativa que supera a média nacional verificada entre os parlamentos do País.

Questão etária

No que se refere à estrutura etária da população feminina no Rio Grande do Sul, a pesquisa indica um processo de “envelhecimento” mais adiantado do que nos demais Estados: 20% das gaúchas têm 60 anos de idade ou mais, ao passo que, no total das brasileiras, esse índice é de 15%.

No mercado de trabalho, uma pluralidade de fatores sociais e culturais ainda limita o acesso das mulheres. No último trimestre do ano passado, a desocupação feminina no Estado atingia 9,1% (contra 6,1% para os homens), ao passo que no Brasil essa relação era de 13,5% para 10,1%.

Outra forma de inserção que merece destaque quando se trata da posição na ocupação da força de trabalho feminina é o emprego doméstico. Classicamente associado a uma inserção precária, por uma multiplicidade de fatores, ele abarca 12,9% das mulheres ocupadas (inexistindo, estatisticamente, para os homens). Assim, é a terceira posição na ocupação mais expressiva para as trabalhadoras do Rio Grande do Sul.

Violência

Já no aspecto relativo à violência, uma das mais cruéis formas de manifestação da desigualdade de gênero, o número de mulheres assassinadas no Rio Grande do Sul cresceu cerca de 90% em uma década, levando o Estado a ultrapassar a taxa média nacional de feminicídios.

No último ano, o número de ataques desse tipo consumados passou de 83 para 117 no Estado, um crescimento de 41%. E o número de tentativas de feminicídio é ainda mais alarmante: somente no ano passado, foram 355 vítimas. O crime de estupro também cresceu nos últimos quatro anos, chegando à marca de 1.712 estupros em 2018, ou seja: uma ocorrência a cada cinco horas.

(Marcello Campos)