Últimas Notícias > CAD1 > O governo federal voltará a insistir no adiamento de reajustes salariais estabelecidos em lei para o funcionalismo público

Sem dar detalhe, o ministro da Segurança disse que a vereadora Marielle pode ter sido assassinada por milícia

Ministro da Segurança disse que polícia trabalha com "uma ou duas pistas fechadas" sobre os assassinos da vereadora. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou na manhã desta segunda-feira (16) que a principal linha de investigação da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Pedro Gomes envolve milícias. Durante a tarde, a família da vereadora irá encontrar com o chefe de Polícia Civil, Rivaldo Barbosa, para saber o andamento das investigações.

“Eles partem de um grande conjunto de possibilidades e vão afunilando pouco a pouco. Estão, praticamente, com uma ou duas pistas fechadas. Eu diria que, hoje, apenas uma delas e os investigadores têm caminhado bastante adiante. Essa hipótese mais provável é a atuação de milícias no Rio de Janeiro”, declarou Jungmann, em entrevista dada ao Jornal da CBN.

O caso completou um mês no último sábado (14), com poucas informações da polícia e nenhum apontado como autor ou mandante do crime. O ministro lembrou que casos como as mortes do servente de pedreiro Amarildo de Souza, em 2013, e da juíza Patrícia Accioli, em 2011, levaram mais de um mês para serem resolvidos. “O caso Amarildo demorou 90 dias para ser resolvido. O caso da Patricia Accioli demorou 60”, explicou.

Comissão

A OEA (Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos) fará uma audiência pública especial sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. O debate ocorrerá entre os dias 3 e 11 de maio na República Dominicana, durante o 168º Período de Sessões da Comissão. Dificilmente um crime é debatido tão rapidamente em sessões da comissão, o que indica a prioridade dada ao caso.

Com o título “O dever da proteção de pessoas defensoras dos direitos humanos no contexto do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes no Brasil”, o debate será uma das três audiências especiais da CIDH. As outras são sobre as eleições na Venezuela e sobre estado laico na América Latina. Esse tipo de audiência indica que a entidade se preocupa com o tema e poderá pedir liminarmente ações efetivas do governo brasileiro.

A Comissão tem se mostrado muito preocupada com a situação dos militantes pelos direitos civis no Brasil, e já publicou um informe dizendo que a intervenção militar no Rio não pode significar abusos de direitos humanos. Essa será uma oportunidade para entidades e governos debaterem o tema.

Na semana passada, Rodrigo Pacheco, segundo subdefensor público-geral do Rio de Janeiro, e Daniel Lozoya, defensor do Núcleo de Direitos Humanos, estiveram na CIDH para tratar do caso do assassinato de sete jovens em uma operação no complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, com a atuação de militares das Forças Armadas. Os dois afirmaram que as autoridades da CIDH estão muito preocupadas com a questão no Brasil.

“Existe a preocupação de que o caso dos jovens de São Gonçalo e o de Marielle Franco e Anderson incentivem novos atos contra os direitos humanos no Rio”, afirmou Pacheco. “A comissão já estava preocupada desde que se tornou lei que apenas a Justiça Militar pode julgar militares. Isso vai na contramão do mundo, pois a Justiça Militar não é a mais indicada para apurar casos de violações de direitos humanos.”

Daniel Cerqueira, brasileiro que atua como diretor da ONG Fundação do Devido Processo Legal, baseada em Washington, disse acreditar que a CIDH vai ampliar o debate, sem deixá-lo ficar restrito à morte da vereadora e de seu motorista.

“O momento no qual a comissão marcou a audiência denota claramente a preocupação não só em relação ao caso concreto, mas sobre a atuação dos defensores dos direitos humanos no Brasil. O título da audiência deixa claro que o debate vai além do caso Marielle, abordando inclusive as denúncias de atuação irregular das milícias”, disse Cerqueira.

Marielle Franco foi morta a tiros no Rio de Janeiro. (Foto: Renan Olaz/CMRJ)

Deixe seu comentário: