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“Atual geração está vacinada contra qualquer sintoma de ditadura”, diz o general Augusto Heleno

Augusto Heleno (foto) participou de audiência na Câmara dos Deputados e falou sobre o assunto após declaração de Eduardo Bolsonaro. (Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados)

Quase uma semana após fazer declarações sobre um novo AI-5 (Ato Institucional 5), o ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno, negou nesta quarta-feira (06), na Câmara dos Deputados, qualquer inclinação ditatorial do governo de Jair Bolsonaro.

Heleno foi convidado a uma audiência pública na Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia para debater sobre monitoramento a movimentos sociais, em especial aos povos indígenas. Em sua exposição inicial, o general falou sobre o que chamou de “angústias” quanto a um regime ditatorial e autoritarismo do governo de Jair Bolsonaro.

“Eu posso garantir a todos que estão aqui presentes que, em relação aos militares das três forças, as nossas gerações estão completamente vacinadas contra qualquer sintoma de ditadura, dessas coisas que ficam assustando aí as pessoas e que, muitas vezes, é bandeira para quem não tem muita coisa para inventar inventa isso aí”, disse.

Heleno afirmou que “não passa na cabeça do governo Jair Bolsonaro” qualquer possibilidade de adotar medidas com características ditatoriais. “Não temos nenhuma vocação para esse tipo de atitude”, disse. Na última quinta-feira (31), Heleno comentou declarações do líder do PSL na Câmara, deputado Eduardo Bolsonaro (SP), de que a edição de um novo AI-5 poderia ser uma resposta a uma eventual radicalização da esquerda.

O instrumento, adotado durante a ditadura militar, resultou em forte repressão, com cassação de direitos políticos e fechamento do Congresso. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Heleno havia dito que não tinha ouvido as declarações de Eduardo, filho do presidente Jair Bolsonaro.

“Se falou, tem de estudar como vai fazer, como vai conduzir. Acho que, se houver uma coisa no padrão do Chile, é lógico que tem de fazer alguma coisa para conter. Mas até chegar a esse ponto tem um caminho longo”, afirmou.

Nesta quarta-feira, Heleno falou sobre a atuação do GSI e afirmou que cabe ao gabinete, atendendo aos princípios do estado democrático de direito e observando direitos e garantias fundamentais, entender “determinados fenômenos” com o fim de averiguar seu potencial efeito no que for lesivo à sociedade e ao estado.

“Isso não se reflete necessariamente na realização de monitoramento de pessoas, mas na avaliação de contextos, baseadas em informações oriundas de fontes abertas. Não tem história de 007, de agente secreto, de infiltração, de colocar gente disfarçada em alguns lugares para monitorar. Isso é coisa de filme”, disse.