Últimas Notícias > Colunistas > Fatos históricos do dia 18 de outubro

Auditor disse que não encontrou interferência de Lula na Petrobras, mas também admitiu não ter conseguido descobrir o esquema de pagamentos de propinas na empresa

Lula é acusado de ter recebido vantagens da Odebrecht por contratos com a Petrobras. (Foto: AE)

A Justiça Federal do Paraná ouviu, nesta segunda-feira (19), seis testemunhas arroladas pela defesa do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, no processo em que Lula é réu acusado de ter recebido vantagens indevidas da Odebrecht por contratos com a Petrobras, através da compra de um apartamento em São Bernardo do Campo e de um terreno em São Paulo, onde seria instalada a sede do Instituto Lula. Entre os depoentes estava o auditor independente Bernado Moreira Peixoto Neto, da KPMG, responsável por auditorias externas na Petrobras entre 2006 e 2011. Ele disse não ter encontrado nenhum indício de interferência de Lula na estatal, mas também admitiu ao juiz federal Sérgio Moro que não conseguiu descobrir o esquema de pagamentos de propinas na empresa.

Durante todo o depoimento de Peixoto Neto, os advogados de Lula insistiram em questioná-lo sobre se, em alguma auditoria, a KPMG identificou qualquer interferência do ex-presidente Lula nos contratos, ou mesmo na gestão da Petrobras, o que foi negado pelo interrogado. A pedido dos advogados de defesa, Bernardo também destacou o rigor da auditoria, as normas internacionais seguidas pela equipe e elogiou, inclusive, os sistemas de controle da Petrobras na época.

Ao fim dos questionamentos da defesa de Lula, que tentou, com a testemunha isentar o ex-presidente de qualquer ligação com os contratos da Petrobras com a Odebrecht, o juiz federal Sérgio Moro fez duas questões para esclarecimentos que podem enfraquecer o depoimento. Moro perguntou se tais auditorias conseguiram descobrir que diretores da Petrobras cobravam propina de empreiteiras, conforme já provado em outros casos da Operação Lava-Jato e se era de conhecimento que tais diretores tinham conta no exterior para o recebimento das vantagens indevidas. “Nunca tivemos essa informação”, respondeu o depoente para, na sequência, Moro encerrar a audiência.

Recurso aceito

Edson Fachin concordou com um recurso apresentado pela defesa de Lula pedindo que fosse enviado para a Justiça Federal em Brasília e não para a de Curitiba as declarações de Emílio Odebrechet e Henrique Valladares, executivo da Odebrecht, sobre suposta propina paga pela OAS na licitação das usinas de Santo Antônio e Jirau.

Fachin determinou o compartilhamento pela Justiça Federal em Brasília de qualquer prova que Curitiba precise.

Lula tentou barrar depoimento

Cerca de 1 hora e 30 minutos antes do início das audiências do patriarca da Odebrecht, Emilio Odebrecht, e do executivo da empreiteira Alexandrino Alencar, que teve início no dia 5 deste mês, os advogados do ex-presidente Lula entraram com um habeas corpus, com pedido liminar, no TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) para cancelar os depoimentos. Não houve decisão do TRF4.

Os executivos da Odebrecht prestam depoimento em ação penal sobre propinas pagas pela empreiteira, no esquema que seria liderado pelo ex-presidente.

Deixe seu comentário: