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Bancada evangélica renova apoio a Bolsonaro

O bloco evangélico vinha se engalfinhando em um racha inédito entre seus integrantes. (Foto: Rafael Carvalho/Divulgação)

Após uma disputa marcada por rachas internos, a bancada evangélica da Câmara chegou a um consenso nesta quarta-feira (27) e elegeu como seu novo presidente o deputado Silas Câmara (PRB-AM). A escolha, por aclamação, ocorreu em uma reunião-culto na Câmara. Com isso, a bancada deixa o processo fortalecida e com um discurso renovado de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PSL), isso em meio a uma crise política que afeta a base do governo no Legislativo, atinge diferentes ministérios e trava a pauta econômica no Congresso.

Entre os assuntos sensíveis à bancada evangélica estão o projeto Escola sem Partido (para eliminar suposta doutrinação ideológica nas escolas), o Estatuto do Nascituro, o Estatuto da Família (que reconhece como família apenas a união “entre um homem e uma mulher”) e a abordagem pela educação de temas ligados a gênero.

O bloco evangélico vinha se engalfinhando em um racha inédito entre seus integrantes, que em geral se uniam em torno de um único nome, sem candidatos. Neste ano se inscreveram seis: os novatos Cezinha de Madureira (PSD-SP), Glaustin Fokus (PSC-GO), Flordelis (PSD-RJ) e Abílio Santana (PR-BA), além dos veteranos Silas Câmara e Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), ligado ao pastor Silas Malafaia.

Na reta final, porém, todos renunciaram com um discurso de que a frente precisava de unidade. É como o deputado Fokus disse ao retirar seu nome do páreo: “Estou vendo clima de disputa, para não dizer hostil. Que papai do céu possa trazer paz a esse ambiente”. Precederam a eleição pistas de que Silas Câmara, deputado há duas décadas, seria mesmo o nome capaz de pacificar o clima descrito dias antes por uma assessora como de “tiro, porrada e bomba”.

Silas Câmara tem um histórico de problemas com a Justiça. Em 2018, por exemplo, ele e a esposa tiverem a perda dos direitos políticos decretada pela Justiça Federal no Acre. A deputada Antonia Lúcia usou por anos o celular corporativo do marido para atividades extraparlamentares. A sentença ainda não é definitiva, já que ambos, acusados de improbidade administrativa, recorreram.

Em 2010, o STF (Supremo Tribunal Federal) recebeu uma ação penal contra ele. Acusação: peculato. Ele é suspeito de desviar recursos que deveriam ir para o pagamento de servidores de seu gabinete. O dinheiro estariam servindo para bancar o salário de funcionários que trabalhavam em sua casa entre 2000 e 2001. Marco Feliciano (PODE-SP), ausente por causa de uma cirurgia na boca, divulgou uma carta aberta em que ameaçava deixar a bancada religiosa “no caso da escolha não ser consensual”, com um adendo: “Não serei o único”.

“Temos inimigos suficientes lá fora que já nos rotulam de fisiologistas, sugerem luta pelo poder por parte de líderes religiosos, chegam ao extremo de maldosamente falarem que o DEM já tão prestigiado no governo quer também assumir até a frente.” DEM é o partido de Sóstenes, que tem Malafaia como cabo eleitoral. Seu nome perdeu força após colegas encrencarem com um dos pontos que ele defendia em sua campanha, o de “promover reuniões com os cônjuges dos parlamentares”.

Esses seriam encontros que levariam, de tempos em tempos, esposas e maridos até Brasília. Para o democrata, a medida diminuiria a traição dos companheiros, que muitas vezes ficam nos estados de origem do parlamentar.

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