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Banco do Brasil questiona se filme trará cenas de sexo ou de nudez em edital

Pergunta sobre sexo ou nudez em edital não é comum. (Foto: Reprodução)

Um edital para a seleção de projetos de novos filmes lançado nesta semana pelo Banco do Brasil está causando controvérsia entre cineastas por perguntar, no formulário, se na produção “serão exibidas cenas de nudez ou de sexo explícito”, se “a obra faz referência a crimes, drogas, prostituição” e se “tem cunho religioso ou político”. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

O documento da BB DTVM, subsidiária do banco, destinaria verbas da empresa por meio da Lei do Audiovisual. As inscrições vão até o dia 30.

Em 2018 e 2017 não houve essas perguntas, apenas as questões habituais de editais desse gênero, como enredo da obra e o público-alvo.

Embora os editais sempre vetem obras que incentivam uso de bebida alcoólica, cigarro ou outras drogas, que tenha caráter religioso ou cunho partidário, essa é a primeira vez que se pergunta a respeito de cenas de sexo e nudez.

Após a publicação, o Sindicato de Bancários de São Paulo, Osasco e Região se manifestou contra o documento.

“O BB deveria zelar pela pluralidade de ideias e de temas. Vetar que empresas públicas financiem obras cinematográficas devido ao seu conteúdo é uma clara tentativa de censura”, afirmou João Fukunaga, secretário de assuntos jurídicos da entidade.

Procurada, a BB DTVM informou, em nota, que quis “estabelecer um processo que permita alocar recursos da melhor maneira possível, respeitando a legislação, normativas vigentes e priorizando projetos com conteúdo acessível para todas as idades”.

A controvérsia se soma a outras que têm dominado o noticiário sobre o audiovisual.

Em abril, Jair Bolsonaro mandou tirar do ar um comercial do Banco do Brasil em que os atores são quase todos jovens, há mulheres e homens negros, e uma das personagens é transexual. Muitos aparecem com tatuagens e cabelos coloridos e representam diversidade racial e sexual.

Em julho, Bolsonaro disse que a Agência Nacional do Cinema, a Ancine, poderia ser privatizada ou extinta caso não fosse possível usar filtros para produções nacionais. Ele criticou o patrocínio ao filme “Bruna Surfistinha”, protagonizado por Deborah Secco.

“Não posso admitir que, com dinheiro público, se façam filmes como o da Bruna Surfistinha. Não dá. Ele apresentou propostas sobre a Ancine, para trazer para Brasilia. Não somos contra essa ou aquela opção, mas o ativismo não podemos permitir em respeito às famílias. É uma coisa que mudou com a chegada do governo”, disse na ocasião.

Em 2 de agosto, porém, ele disse que poderia voltar atrás da decisão. “Se recuar, recuo. Quantas vezes vocês falam que eu recuei? Tem a questão do audiovisual que emprega muita gente, tem de ver por esse lado”, afirmou.

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