Beatriz Fagundes


Um mísero salário mínimo.



No Brasil dos absurdos, duas notícias
confirmaram ontem o nível de insanidade do nosso sistema.



A União divulgou o valor do salário mínimo a ser proposto pelo orçamento de 2009: míseros R$ 464,72. Nada mau, se comparado com o valor do salário mínimo na década de 1990, que jamais alcançava cem dólares. Meta defendida com unhas e dentes pela oposição ao então governo tucano. Hoje, ultrapassa fácil a meta anterior, mas, para desespero daqueles que defendem um mínimo de isonomia salarial no país, a Câmara deverá votar na primeira quinzena de setembro um projeto de reajuste dos salários dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), dos atuais R$ 24 mil para cerca de R$ 26 mil. O novo valor será a baliza para o teto do funcionalismo federal e, é lógico, na correspondência com outros tribunais e cargos de Estado. O aumento vai passar batido, até mesmo porque o Congresso está totalmente desmoralizado para tentar qualquer ação em contrário – além de se locupletar posteriormente com o novo valor do salário da corte brasileira. Enquanto isso, os vassalos vão se virando com alguns pilas de aumento. Até quando?

Germano em confissão

São tocantes as afirmações do deputado federal José Otávio Germano (PP) postadas em seu site sob o título “Pensamentos I”. Contrito, Germano se declara arrependido por ter aceitado o convite do então governador Germano Rigotto para assumir a Secretaria de Segurança após quatro convidados terem dito “não” ao convite: “Hoje, olhando para trás, reeleito deputado federal com quase 200 mil votos, continuo achando que fiz uma má escolha, a de ser o secretário”. A causa da dor existencial do ex-secretário não poderia ser outra: “O assunto Detran é recorrente, e talvez eu devesse ter cuidado mais detalhadamente. Mas não se mudou formato algum. Os órgãos controladores e fiscalizadores em nenhum momento apontaram irregularidades”.

José Otávio tece emocionante comparação: “Hoje, consigo entender o que houve com meus antecessores na função de secretário da Justiça e da Segurança – particularmente dos tempos recentes. Compreendo a súbita doença e morte do secretário Eichemberg. Sofreu com uma CPI do Detran interminavelmente. Compreendo a dor e a doença do secretário Bisol. Perseguido por parte da mídia interminavelmente. Chego a mim, só não morri, de desgosto, com esse assunto Detran pela fé que me une a Nossa Senhora, a Jesus Cristo e a Deus. Sofro, quieto, pois só o tempo colocará as coisas no lugar. Se já estou doente, não sei, acho que estou. Mas não importa, queria dizer pouco, já disse muito, que não fiz nada errado intencionalmente”. Além do texto publicado em seu site, José Otávio Germano publicou um “apedido” no Jornal do Povo, de Cachoeira do Sul, no qual sugere: “Chego, às vezes, a acreditar que não é a mim que querem atingir, e sim a nossa Cachoeira. Por quem tanto amo e luto durante toda a minha vida pública”. O deputado não esclareceu os motivos e sequer algum grupo interessado em destruir Cachoeira do Sul. Com relação a uma possível doença que venha a obstruir o evidente futuro sucesso político do deputado, só nos resta acompanhá-lo em orações.

PSOL gaúcho na berlinda

Documento assinado por integrantes de diversas correntes do PSOL nacional (Coletivo Liberdade Socialista, Alternativa Socialista, Alternativa Revolucionária Socialista e Reage Socialista) exige a imediata anulação da deliberação de Porto Alegre, pela qual o diretório do partido na capital teria admitido receber uma “generosa oferta financeira feita pelo Grupo Gerdau” entendendo que ela fere não apenas o estatuto do partido e as resoluções da 2ª Conferência Eleitoral do PSOL, mas, sobretudo, todo o “acúmulo político sobre o qual o PSOL foi fundado”. De acordo com a posição defendida pela corrente Movimento da Esquerda Socialista, ligada diretamente à candidata Luciana Genro, a decisão de aceitar verbas de uma multinacional foi tomada para evitar que o partido permaneça em uma posição de isolamento e marginalidade. O PSOL nacional, aparentemente, não entendeu a posição vanguardista do PSOL porto-alegrense. A conferir.

Polícia Civil
anuncia paralisação

Justificativa oficial da Ugeirm (Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia do RS) anunciando paralisação nos dias 3 e 4 de setembro: “Se o nosso salário é um deboche, o que dizer do reajuste concedido à governadora, que mal consegue explicar a compra de sua própria casa? Ela vai ganhar mais que o presidente da República. Ela merece? Bem, segundo 53% dos gaúchos, seu governo é avaliado como ruim ou péssimo. Os deputados que aprovaram salário de 17 mil reais para a governadora devem achar tudo isso muito justo.

O contracheque dela equivale à despesa mensal que os cofres públicos teriam com uma promoção para toda a Polícia Civil – e nós temos quatro listas em atraso. Yeda diz que ‘dinheiro não dá em árvore’, mas acaba de colher safra de 143% no seu pé-de-meia. É hora de demonstrarmos força, atingir 100% de adesão no Estado. É hora de endurecer as negociações com a governadora, já que ela desautoriza todos os seus interlocutores. Em outubro, será a vez da capital e da Região Metropolitana. Se nada acontecer até novembro, estaremos juntos com os servidores da Susepe, que recentemente encerraram greve de 35 dias”. A conferir.



Notícias do Jornal O Sul do Dia 28/08/2008