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Bolsonaro comparou o presidente da Câmara dos Deputados a uma namorada que quer ir embora e disse estar disposto a conversar

Presidente diz que lamenta se post do filho fez o deputado ter decidido abandonar a articulação da reforma da Previdência. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feita (22) que quer saber o motivo pelo qual Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, decidiu se afastar da articulação política da reforma da Previdência. E afirmou que está “aberto ao diálogo”. Bolsonaro está na capital chilena para participar de um encontro com líderes sul-americanos.

“Eu quero saber o motivo. Estou sempre aberto ao diálogo. Eu estou fora do Brasil, quero saber qual o motivo. Eu não dei motivo para ele sair”, disse o presidente ao ser perguntado por jornalistas se via com preocupação a desmobilização de Maia para buscar apoio no Congresso para aprovar a reforma.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, Maia teria telefonado para o ministro da Economia, Paulo Guedes, na quinta-feira (21), e avisado que deixaria a articulação política da reforma. A decisão teria sido tomada após publicação de post do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), com críticas a ele.

Irritado, Maia teria dito a Guedes que, se é para ser atacado nas redes sociais por filhos e aliados de Bolsonaro, o governo não precisa de sua ajuda. O presidente da Câmara é considerado o fiador da reforma da Previdência, que já enfrenta resistência no Congresso.

Os jornalistas perguntaram, então, como Bolsonaro vai convencer Maia a voltar a fazer a articulação.

“Só conversando, né? Você já teve uma namorada? E quando ela quis ir embora, o que você fez para ela voltar? Não conversou? Estou à disposição para conversar com Rodrigo Maia, sem problema nenhum.”

Em seguida, Bolsonaro disse que o post de seu filho não seria motivo para a decisão de Maia. Na quinta-feira, Carlos Bolsonaro escreveu em uma rede social que “há algo bem errado que não está certo” e compartilhou a resposta do ministro da Justiça, Sérgio Moro, à decisão de Maia de não dar prioridade ao projeto que prevê medidas para combater o crime organizado e a corrupção.

“Se essa foi a causa, acho que o Brasil todo está indignado com a demora da votação do projeto anticrime. Nós, no Brasil, não conseguimos viver com 60 mil homicídios por ano. Foi esse o motivo? Se foi esse o motivo, eu lamento. Não é motivo.”

Em entrevista ao jornal O Globo nesta sexta-feira, Maia sinalizou que vai esperar o Planalto tomar as rédeas da articulação política para coordenar a votação da proposta . A primeira parada do projeto é a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), onde já não há certeza sobre maioria para a votação.

“Vou pautar (a reforma) quando o presidente disser que tem votos para votar. A responsabilidade do diálogo com os deputados daqui para frente passa a ser do governo”, disse.

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