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Bolsonaro disse cogitar deputado ortopedista para o Ministério da Saúde

O deputado Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) é investigado pela PGR por suspeitas de ter favorecido duas empresas em um contrato de R$ 9,9 milhões. (Foto: Gustavo Lima/Câmara dos Deputados)

O deputado federal e ortopedista pediátrico Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) pode ser o novo ministro da Saúde a partir de 1º de janeiro, afirmou o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) nesta segunda (12).

“Conversei com o Mandetta hoje, dei mais um passo. Estou conversando com ele, sim. Ele tem reportado as questões ligadas à saúde comigo. Está sendo conversado o nome dele, nada definido ainda”, disse ele em frente à sua casa na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.

O parlamentar já estava sendo cogitado ao cargo há algum tempo. Ele declarou à rádio CBN no dia 5 que lhe “encantaria muito reconstruir o sistema de saúde” no novo governo. Mas negou que tivesse conversado com o presidente eleito ou com interlocutores dele até então.

O nome de Mandetta, que ajudou diretamente na elaboração do programa da área de saúde de Bolsonaro, é defendido até por um abaixo-assinado lançado na internet. A campanha “Petição Mandetta no Ministério da Saúde” havia conseguido 815 adesões até quinta (8), segundo a coluna de Mônica Bergamo, do jornal “Folha de S.Paulo”.

O deputado federal se elegeu em 2010 e se reelegeu em 2014 pelo DEM, partido ao qual é filiado desde 2009 — antes esteve no PSDB —, mas não tentou nenhuma candidatura novamente neste ano. É conhecido pela atuação no setor da saúde pública na Câmara.

Mandetta é formado em medicina pela Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro, e pós-graduado em ortopedia pediátrica pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande.

Também fez uma especialização na área na Emory University, em Atlanta (Georgia, Estados Unidos) em 1995, e foi presidente da Unimed também em Campo Grande de 2001 a 2004. No Executivo, ocupou o cargo de secretário municipal de Saúde do município entre 2005 e 2010.

Segundo Bolsonaro, o próximo titular do ministério terá o desafio de “tapar os ralos” é implementar o prontuário eletrônico. “Nós queremos é facilitar a vida do cidadão e também economizar recursos, não tem como falar em investir mais na saúde porque nós estamos mais do que no limite de gastos em todas as áreas”, disse nesta segunda.

Investigado

O parlamentar é investigado pela PGR (Procuradoria Geral da República) por suspeitas de ter favorecido duas empresas – a Telemídia e a Alert – num contrato de R$ 9,9 milhões assinado com a Secretaria de Saúde de Campo Grande (MS), no período em que ele comandou a pasta. No inquérito obtido pelo jornal O Globo, a PGR cita uma viagem de Mandetta a Portugal, em 2010, como um indício de sua relação de proximidade com as empresas, que arcaram com os custos do giro europeu na ocasião. Procurado pelo, Mandetta nega irregularidades.

A existência da investigação foi revelada nesta terça-feira (13) pelo colunista Lauro Jardim. Mandetta foi secretário na capital sul-mato-grossense entre 2005 e 2010. Segundo as investigações, já no final de sua gestão, a secretaria realizou uma licitação para implementar um sistema de informática na repartição.

Além desse inquérito em andamento, Mandetta foi alvo de duas ações civis de improbidade administrativa em tramitação na Justiça Federal de Mato Grosso do Sul e que tratam desses mesmos fatos. Houve bloqueio de bens no valor total de R$ 16 milhões. Procurada, sua defesa afirmou que a Justiça ainda não decidiu se aceita a abertura das ações – caso sejam aceitas, ele se torna réu no caso.

Foi na esteira desse processo, segundo a PGR, que o então secretário teria atuado para garantir que a Telemídia ganhasse o contrato, mesmo não tendo sido a primeira colocada na concorrência. Além de desclassificar a empresa vencedora, Mandetta teria usado sua influência para garantir a subcontratação da Alert pela Telemídia, ignorando regras contratuais que impediam o negócio.