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Bolsonaro disse que um fracasso da reforma da Previdência pode gerar uma catástrofe econômica no País

A equipe econômica entrou em atrito diversas vezes com a ala política da gestão de Bolsonaro. (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Cobrado a se empenhar mais na defesa da reforma da Previdência, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira (27), em seu perfil no Twitter que negar a existência de problema que, de acordo com ele, pode gerar “uma catástrofe econômica” seria uma “irresponsabilidade com a população brasileira”. Ele disse também que, sem a reforma, o País poderá viver um “caos total”.

“Cidadãos de vários Estados brasileiros passaram sufoco nos últimos anos pela falta de pagamento de suas aposentadorias. Se permanecermos no atual sistema, a tendência é que isso se repita em escala nacional. Caos total. É fato. Por isso que se faz necessária a Nova Previdência”, escreveu.

Segundo Bolsonaro, o fracasso da reforma afetará a todos os cidadãos, principalmente os mais pobres. “Não queremos mentiras agradáveis. Nosso compromisso é com a verdade”, disse.

Nos últimos dias, o Congresso tem dado sinais de que a proposta não será analisada em um cenário fácil. Líderes partidários e parlamentares têm indicado ao governo descontentamento com a articulação política e com trechos da proposta. Nesta quarta, o ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu pela primeira vez que a Câmara e o Senado devem retirar do texto enviado pelo governo as alterações na aposentadoria rural e as mudanças no BPC (Benefício de Prestação Continuada). Esses dois pontos são os mais questionados pelos parlamentares.

Congresso versus governo

Desde o início do governo, a equipe do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o Congresso Nacional colecionam recuos e ruídos em assuntos relacionados à reforma da Previdência.

As polêmicas vão desde a definição de uma idade mínima até a instalação da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e a escolha do relator da PEC (proposta de emenda à Constituição).

No caso mais recente, uma tensão entre o governo e o Congresso ameaça a própria reforma. O ministro da Economia, Paulo Guedes, convidado para participar de uma audiência pública na CCJ, desistiu de comparecer e enviou o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, para substituí-lo.

Ausência de Guedes

Em nota oficial, o Ministério da Economia informou que a ida de Guedes à CCJ “será mais produtiva” quando o relator da matéria for definido.

Diante da desistência de Guedes, a oposição recolheu assinaturas para votar um requerimento de convocação, que foi acatado pelo presidente da CCJ, Felipe Francischini (PSL-PR).

Após um acordo de líderes, a CCJ decidiu convidar novamente Guedes para participar de uma audiência pública na quarta-feira da semana que vem (3). Caso ele desista novamente de participar, será automaticamente convocado pela comissão. Nesse caso, ele fica obrigado a participar da reunião.

Crise

Uma crise política se instalou na relação entre o Executivo e o Legislativo desde a semana passada, com troca de acusações nas redes sociais e na imprensa.

O estopim foi uma publicação nas redes sociais feitas pelo vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente. Após sofrer cobranças do ministro da Justiça, Sérgio Moro, sobre andamento de seu projeto anticrime, Maia foi alvo da ironia de Carlos.

A partir dessa fissura, líderes partidários e bolsonaristas inundaram a imprensa e as redes sociais com acusações e indiretas.

Idade mínima

A definição da proposta de idade mínima também é motivo de ruídos e recuos desde o início do governo. A equipe econômica entrou em atrito diversas vezes com a ala política da gestão de Bolsonaro.

Enquanto Guedes e outros técnicos do Ministério da Economia defendiam uma idade mínima igual para homens e mulheres, Bolsonaro afirmou, em entrevista, que considerava 57 anos para mulheres e 62 para homens.

O próprio secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, afirmou à imprensa que a definição da idade mínima teria sido alvo de divergência entre o presidente e a equipe econômica.

De acordo com Marinho, Guedes queria uma idade mínima igual para homens e mulheres, de 65 anos, e um período de transição de dez anos. O presidente preferia 65 para homens e 60 para mulheres, com um período de transição mais longo.

Instalação da CCJ

A tramitação da reforma também tiveram origem no Legislativo. Em fevereiro, após eleito mais uma vez presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) declarou que trabalharia para instalar a CCJ antes do carnaval, para dar celeridade ao trâmite da proposta.

Entretanto, o colegiado só foi instalado em 13 de março, e Francischini foi eleito presidente. Ele prometeu definir um calendário de votações na semana seguinte, mas isso não ocorreu.

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