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Bolsonaro diz que a mídia é sua adversária e pede que os seus companheiros de campanha evitem falar com jornalistas

Candidato do PSL concedeu entrevista à RedeTV. (Foto: Reprodução)

Em entrevista ao canal RedeTV nessa quinta-feira, o candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) disse que não pretende apresentar qualquer projeto de regulação dos meios de comunicação e que “a mídia tem que ser livre”. Nesse tema, ele se opõe ao adversário no segundo turno, o petista Fernando Haddad, que tem a regulação da mídia como uma de suas plataformas de campanha.

A declaração foi dada no mesmo dia em que, durante um evento realizado na Barra da Tijuca,no Rio de Janeiro, Bolsonaro afirmou a aliados que a mídia é uma adversária de sua campanha e pediu que correligionários evitem falar com jornalistas.

“Tomem muito cuidado com a mídia. Ela quer ganhar uma escorregada para me atacar. Recomendo nem falar [com jornalistas], que parte da mídia quer nos desgastar”, afirmou o polêmico presidenciável, em fase final de recuperação do atentado a faca sofrido no dia 6 de setembro durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG).

Gravada, a entrevista à RedeTV foi exibida no principal telejornal da emissora, o “RedeTV News”. O candidato tem priorizado TVs e rádios no atendimento à imprensa. As agendas de campanha e a participação em debates estão vetadas até a liberação médica, que, segundo ele, deve ocorrer na semana que vem.

“Sem regulação da imprensa. Sabemos o que o outro lado [o PT] não só pensa em regular, como botou em seu programa de governo. Como, ao longo de 13 anos do PT, tentaram regular a mídia, né? Ou, como eles chamam, democratizar. A mídia tem que ser livre. Em especial a internet, que eles tentaram também censurá-la via Marco Civil”, prosseguiu.

“Liberdade de imprensa e imprensa que realmente estiver voltada com a verdade, como se chama no linguajar de vocês, vendendo a verdade, vai ser valorizada”, projetou. “Imprensa livre é sinal de democracia e liberdade”, declarou, sem especificar o que seria “a verdade”.

Evento

No evento dessa quinta-feira, realizado no hotel Windsor, vizinho ao condomínio onde ele mora no Rio de Janeiro, Bolsonaro recebeu deputados do PSL e de outros partidos que manifestaram apoio. De acordo com o coordenador político de sua campanha, o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), mais de 300 políticos eram esperados. Os organizadores, no entanto, não informaram quantos compareceram.

Durante o encontro, o candidato disse a correligionários que a campanha conseguiu “enfrentar fake news de toda ordem”. “O atentado [em Juiz de Fora] é porque nós somos um perigo não para a democracia, mas um perigo para os que teimam em não ser brasileiros.”

Ao mesmo tempo em que cita a liberdade de imprensa, o candidato do PSL usa seu Twitter para criticar a mídia. “Imprensa lixo”, postou ele mais cedo ao divulgar um vídeo que contesta uma notícia publicada.

Vaias a repórter

Eleitores de Bolsonaro que se juntaram aos jornalistas durante a coletiva no hotel vaiaram uma repórter da “Folha de S.Paulo” no momento em que ela foi anunciada para que fizesse perguntas ao candidato. O ato foi repudiado pelo presidente em exercício do partido, Gustavo Bebianno, mas alguns apoiadores ironizaram: “Uma vaia não faz mal”, disse um deles.

Questionado sobre as dezenas de atos de violência que têm ocorrido pelo País, o candidato respondeu com uma provocação e afirmou que o jornal deveria publicar “com letras garrafais” que Walderice Santos da Conceição, 49 anos, “estava de férias até o meio de janeiro” e, portanto, não seria uma funcionária-fantasma de seu gabinete.

Uma reportagem publicada pela Folha no começo do ano mostrou que Wal trabalhava um comércio de açaí na mesma rua onde fica a casa de veraneio do deputado, em Angra dos Reis (RJ). “Vocês humilharam uma senhora filha de negros e de local pobre”, criticou.

Em seguida, Bolsonaro lamentou o episódio ocorrido na Bahia, na última segunda-feira, quando um capoeirista foi assassinado por ter se declarado eleitor do PT. O agressor, segundo a polícia local, teria cometido o crime por divergência política. Bolsonaro argumentou que, em vídeo publicado nas redes sociais, o suspeito nega o fato.

“Mas não interessa qual o problema. Não podemos admitir esse tipo de crime, crime nenhum”, afirmou ele, ratificando o que já havia dito ontem, por meio de suas redes sociais: “Dispensamos esse tipo de voto de quem quer que seja. Afinal de contas, quem levou a facada fui eu”.

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