Terça-feira, 21 de Janeiro de 2020

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Política Bolsonaro diz que colocará “em pau de arara” ministro envolvido em corrupção

Bolsonaro utilizou a expressão em seu discurso, sem conceder entrevista em seguida.

Foto: Isac Nóbrega/PR
Bolsonaro utilizou a expressão em seu discurso, sem conceder entrevista em seguida. (Foto: Isac Nóbrega/PR)

Em um discurso a uma plateia de prefeitos, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (12) que colocará em um pau de arara o integrante de sua equipe ministerial que se envolver em episódios de corrupção durante o seu mandato.

Na cerimônia de anúncio de crédito para a execução de obras estaduais, ele reconheceu ser possível que irregularidades sejam cometidas no governo federal sem que ele tenha conhecimento, mas ressaltou que episódios descobertos não serão admitidos.

“Se aparecer [corrupção], boto no pau de arara o ministro. Se ele tiver responsabilidade, obviamente. Porque, às vezes, lá na ponta da linha, está um assessor fazendo besteira sem a gente saber. Não é isso? É obrigação nossa, é dever”, disse.

A expressão “pau de arara” é empregada para descrever um instrumento de tortura utilizado contra aqueles que eram considerados inimigos da ditadura militar brasileira, período da história do qual o presidente já se disse admirador.

Bolsonaro utilizou a expressão em seu discurso, sem conceder entrevista em seguida.

O presidente não fez menção ao caso do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, que, em outubro, foi denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais sob acusação de envolvimento no esquema de candidaturas de laranjas do PSL.

Em depoimento à Polícia Federal, Haissander Souza de Paula, assessor parlamentar do ministro à época, disse achar que parte dos valores depositados para as campanhas femininas da sigla, na verdade, foi usada para pagar material de campanha de Álvaro Antônio e de Bolsonaro.

Outro ministro de Bolsonaro, Ricardo Salles (Meio Ambiente), teve seus sigilos fiscal e bancário quebrados pela Justiça no mês passado, a pedido do Ministério Público, que o investiga sob suspeita de enriquecimento ilícito no período em que trabalhou no governo Geraldo Alckmin (PSDB), em São Paulo.

Neste período, o patrimônio do atual ministro passou de R$ 1,4 milhão, em 2012, para R$ 8,8 milhões em 2018. Salles diz não ter receio sobre a análise de dados e disse anteriormente que seu patrimônio evoluiu por conta de um investimento bem feito.

Em novembro, o Ministério Público do Rio de Janeiro abriu um terceiro inquérito para investigar denúncias de irregularidades no gabinete de Flávio Bolsonaro, filho do presidente, quando o hoje senador era deputado estadual do Rio de Janeiro.

O objetivo é apurar eventual improbidade administrativa decorrente do emprego de assessores fantasmas, ou seja, pessoas investidas em cargo em comissão junto ao gabinete do filho do presidente que não teriam exercido funções inerentes à atividade parlamentar.

Já existe um inquérito civil no Ministério Público para investigar uma eventual prática de improbidade administrativa no gabinete de Flávio —mas, nesse caso, sobre a devolução de parte dos salários de funcionários ao gabinete, ato conhecido como “rachadinha”.

No discurso desta quinta-feira (12), feito na sede do governo tocantinense, o presidente disse que, em sua opinião, a imagem do País associada a episódios de corrupção tem mudado no exterior e ressaltou que, atualmente, o mundo está vendo o Brasil diferente.

“Eu creio que muitos votaram em mim porque eu era o diferente entre os candidatos presidenciais”, disse. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

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