Últimas Notícias > Notícias > Brasil > Deputados do grupo de Bolsonaro acionam o Supremo para evitar suspensão do PSL

Bolsonaro diz que presidente do PSL está “queimado” e expõe racha dentro do seu partido

Bolsonaro cobrou maior transparência do PSL no uso de recursos públicos. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro expôs na manhã desta terça-feira (8) uma crise dentro de seu partido ao dizer a um apoiador que era para ele “esquecer o PSL”. Segundo ele, o presidente da sigla, o deputado federal Luciano Bivar (PE), está “queimado pra caramba”. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

As declarações registradas na saída do Palácio da Alvorada causaram reação imediata dentro da legenda, que está no centro do escândalo das candidaturas laranjas e passa por uma disputa interna de poder.

“Esquece o PSL, esquece o PSL, tá OK?”, cochichou Bolsonaro no ouvido do apoiador que momentos antes se disse do Recife e pré-candidato do PSL.

Apesar da advertência, o jovem insistiu em gravar um vídeo ao lado do presidente, em posição de selfie. “Eu, Bolsonaro e Bivar juntos por um novo Recife, aê!”

Bolsonaro então pediu que a imagem não fosse divulgada. “Oh, cara, não divulga isso não, pô. O cara tá queimado pra caramba lá. Vai queimar o meu filme também. Esquece esse cara, esquece o partido.”

Em reportagens publicadas desde fevereiro pelo jornal, foi revelado esquema de desvio de verbas públicas do PSL por meio de candidatas femininas de fachada, caso que atinge não só o ministro do Turismo de Bolsonaro, Marcelo Álvaro Antônio, mas também Bivar.

O presidente da sigla começou a ser investigado pela Polícia Federal após a publicação revelar que ele patrocinou a destinação de R$ 400 mil de verba eleitoral do partido para uma secretária da sigla em Pernambuco, a quatro dias da eleição.

Maria de Lourdes Paixão oficialmente concorreu a deputada federal e, apesar de ser a terceira maior beneficiada com verba do PSL em todo o país, obteve apenas 274 votos.

Nesta terça, o líder do PSL no Senado, Major Olimpio (SP), afirmou ter ficado perplexo com a declaração de Bolsonaro sobre Bivar.

“Nos pegou a todos de calças curtas. Talvez o presidente esteja vislumbrando uma situação que nós não vemos”, afirmou o senador, que rompeu com Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) —também senador e um dos filhos do presidente— e já ameaçou deixar a sigla.

“O que eu vejo é o Bivar e todo o PSL tratando o presidente com toda a consideração do mundo. Por isso que não dá para entender”, disse Olimpio.

Um dos principais responsáveis pela linha adotada nas redes sociais por Bolsonaro e o bolsonarismo, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) publicou críticas a Olimpio, afirmando que “a ingratidão se revela a cada momento”.

“Com todo respeito ao Major Olimpio, lembro exatamente como foi sua campanha para senador e dos detalhes no hospital, mas que fazem parte da vida pública. Fico estarrecido da maneira como este senhor trata o presidente hoje!”, publicou o vereador em suas redes.

Carlos não detalhou se o episódio seria uma referência à internação hospitalar do pai em decorrência da facada sofrida durante a campanha de 2018.

“Ninguém é imune à críticas, mas meu Deus! É surreal!”, escreveu o vereador.

Carlos também compartilhou mensagem de um dos principais aliados de Bolsonaro, o deputado federal Hélio Negão (PSL-RJ), que lembrou bordão do presidente.

“Hoje a mídia noticia alarmada: ‘Bolsonaro pede para esquecer o partido’. Qual é a surpresa? Brasil acima de tudo, inclusive de partidos”, escreveu Hélio.

Carlos comentou a seguir: “Simples [em letras maiúsculas]. Se for diferente as coisas continuarão as mesmas, só que disfarçadas, como sempre!”

Ao voltar para o Alvorada na noite desta terça, Bolsonaro não quis comentar suas declarações feitas pela manhã. Mas disse que não fez caixa dois —dinheiro eleitoral movimentado sem conhecimento da Justiça— na campanha.

“Só nesta semana, me botaram como responsável por problemas em Minas Gerais. Não tenho nada a ver. Imagine se eu for responsável por 2.000 candidatos pelo Brasil. Não fiz campanha [em referência ao atentado que sofreu]”, afirmou.

“Como é que me acusam que eu fiz campanha com caixa dois? Eu não fiz nada. Não anunciei em jornal nenhum, não fiz uma passeata, não fiz nada.”