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Bolsonaro põe militares e membros do seu partido na comissão que investiga desaparecidos durante o regime militar

Ministra esteve em Minas Gerais nesta terça (13). (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro decidiu trocar quatro dos sete membros da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos. A presidente da comissão, Eugênia Augusta Fávero, que nesta semana criticou Bolsonaro por suas declarações, está entre as excluídas do órgão. Ela foi substituída por Marco Vinicius Pereira de Carvalho, advogado, filiado ao PSL e assessor da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves.

O ato que muda a composição da comissão é assinado por Bolsonaro e Damares, a quem o grupo está vinculado. Ex-integrante da Comissão da Verdade e defensora de perseguidos políticos, Rosa Maria Cardoso da Cunha dará lugar a Weslei Antônio Maretti, coronel reformado do Exército. Já João Batista da Silva Fagundes, coronel da reserva e ex-deputado, deixará o posto para Vital Lima Santos, oficial do Exército.

O deputado federal Paulo Roberto Severo Pimenta (PT-RS) foi trocado pelo parlamentar Filipe Barros Baptista de Toledo Ribeiro, do PSL.

A mudança na composição da comissão ocorre dois dias depois de Bolsonaro contrariar dados de documentos oficiais e atribuir a morte do ex-militante Fernando Santa Cruz, desaparecido desde 1974, a guerrilheiros de esquerda. Em nota, a presidente substituída, Eugênia Gonzaga, disse que lamentava pelas famílias de mortos e desaparecidos. Para ela, “ao que tudo indica”, a decisão do governo foi “uma represália” .

Ao deixar o Palácio do Planalto nesta quinta-feira (1°), Bolsonaro disse que a mudança reflete a orientação política do seu governo. “Agora o presidente é de direita” , afirmou.

A Comissão de Mortos e Desaparecidos do Ministério dos Direitos Humanos havia emitido, em 24 de julho, um atestado de óbito que contrastava com a versão paralela do presidente para o desaparecimento de Fernando Santa Cruz, pai do atual presidente da OAB. O documento afirma que o estudante “faleceu provavelmente no dia 23 de fevereiro de 1974, no Rio de Janeiro/RJ, em razão de morte não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro, no contexto da perseguição sistemática e generalizada à população identificada como opositora política ao regime ditatorial de 1964 a 1985”.

Por meio de nota, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos informou que as trocas na comissão “apesar de concluídas agora, foram solicitadas em 28 de maio como parte de iniciativa para otimizar os trabalhos”. A pasta justificou que a medida visa “acelerar o serviço para que os familiares requerentes obtenham as respostas sobre o paradeiro de seus entes queridos”.

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