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Bolsonaro quebrou o silêncio e disse que o legado de Sérgio Moro não tem preço

Presidente falou sobre vazamento de conversas entre ministro e procurador da Lava-Jato. (Foto: Marcos Corrêa/PR)

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) quebrou o silêncio e minimizou nesta quinta-feira (13) os efeitos do vazamento de mensagens do ministro Sérgio Moro (Justiça) nas quais ele troca colaborações com o procurador Deltan Dallagnol, da Operação Lava-Jato.

“O que ele [Moro] fez não tem preço. Ele realmente botou para fora, mostrou as vísceras do poder, a promiscuidade do poder no tocante à corrupção”, disse o presidente após evento no Palácio do Planalto.

“A Petrobras quase quebrou, fundos de pensão quebraram, o próprio BNDES — eu falei há pouco aqui [no evento] — nessa época R$ 400 bilhões e pouco entregues para companheiros comunistas e amigos do rei aqui dentro”, completou Bolsonaro sobre o legado do ministro da Justiça e ex-juiz federal.

Bolsonaro disse ainda que Moro “faz parte da história do Brasil” e afirmou que as provas contra o ex-presidente Lula, preso após investigação da Lava-Jato, não foram forjadas.

Ele ainda questionou a veracidade da troca de mensagens publicada pelo site The Intercept Brasil no último domingo (9). E disse que, se suas conversas privadas vieram a público, ele também será criticado.

“Se vazar o meu [celular] aqui, tem muita brincadeira que eu faço com colegas ali que vão me chamar de novo de tudo aquilo que me chamavam durante a campanha. Houve uma quebra criminosa, uma invasão criminosa, se é que […] está sendo vazado é verdadeiro ou não.”

Ao ser questionado se considera normal que um juiz e um procurador conversem sobre uma investigação em curso, devolveu a pergunta sobre se o normal é “conversar com doleiros”.

“Normal é conversa com doleiro, com bandidos, com corruptos, isso é normal? Nós estamos unidos do lado de cá para derrotar isso daí. Ninguém forjou provas nesta questão do Lula.”

Bolsonaro ainda comentou sobre ter ido ao estádio Mané Garrincha, um dia antes, ao lado de Moro, onde assistiram a partida entre CSA e Flamengo, pelo Campeonato Brasileiro.

“Olha só, ontem foi o Dia dos Namorados. Em vez de eu chegar em casa e dar um presente para a minha esposa, eu dei um beijo nela. Não é muito melhor? Eu dei um beijo hétero no nosso querido Sergio Moro. Dois beijos héteros”, disse.

Bolsonaro ainda se comparou ao presidente Emílio Garrastazu Médici (1969-1974) ao contar que foi aplaudido. “Fomos aplaudidos, coisa que só acontecia lá trás, quando o Médici ia ao Maracanã”, afirmou.

Silêncio

A manifestação do presidente sobre Moro na quarta-feira (13) diz respeito ao vazamento de mensagens trocadas por ele com Deltan.

Um dia antes, o porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, havia dito que a relação do presidente com Moro é de “sã camaradagem e confiança”. “Não apenas com ele, mas relacionando-se com todos os ministros do governo num ambiente de sã camaradagem e confiança”, respondeu Rêgo Barros ao ser questionado sobre o caso de Moro.

Nesta semana, o presidente vinha evitando o tema. Na terça (11), por exemplo, ele encerrou abruptamente uma entrevista coletiva ao ser questionado sobre o assunto. “Tá encerrada a entrevista”, disse.

O governo Bolsonaro adotou cautela em relação ao vazamento para evitar movimentos prematuros, antes que fique clara a dimensão completa do caso.

Embora aliados do presidente tenham defendido o ministro da Justiça e afirmado que Bolsonaro confia em Moro, seus auxiliares recomendaram que o presidente aguardasse a revelação de outros trechos dos diálogos entre o ex-juiz da Lava-Jato e integrantes da força-tarefa da operação.

Mensagens divulgadas no domingo (9) pelo site The Intercept Brasil mostram que Moro e Deltan trocavam colaborações quando integravam a força-tarefa da Lava-Jato. Segundo as mensagens, Moro sugeriu ao Ministério Público Federal trocar a ordem de fases da Lava-Jato, cobrou a realização de novas operações, deu conselhos e pistas e antecipou ao menos uma decisão judicial.

O pacote de diálogos que veio à tona inclui mensagens privadas e de grupos da força-tarefa no aplicativo Telegram de 2015 a 2018.

Para advogados e professores, a maneira como inicialmente o atual ministro da Justiça e o procurador reagiram à divulgação das conversas, sem contestar o teor das afirmações e defendendo o comportamento adotado na época, aponta que o conteúdo é fidedigno e que ele pode servir de base para reverter decisões da Lava-Jato, por exemplo, contra o ex-presidente Lula.

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