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O deputado Jair Bolsonaro quer um campo de refugiados para os venezuelanos no Brasil

Bolsonaro se diz identificado com ideias de Trump. (Foto: Nilson Bastian/Câmara dos Deputados)

Depois de adotar um discurso mais atraente ao mercado, com propostas de cunho liberal, o pré-candidato do PSL à Presidência, deputado federal Jair Bolsonaro, retomou temas polêmicos. Em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, ele defendeu a construção de campos de refugiados para venezuelanos que chegam ao Brasil. “Já temos problemas demais aqui”, disse ele.

1. O PSL tem R$ 9,2 milhões de fundo eleitoral e outros R$ 5 milhões de fundo partidário. Quanto o senhor pretende gastar na campanha eleitoral?

Antes de escolher o PSL, sabia que nenhum partido médio e grande iria me aceitar e me preparei para fazer campanha com R$ 1 milhão para gastar em 45 dias. É mais do que suficiente. Do montante total de recursos do PSL, me caberão cerca de R$ 3 milhões. Estou muito satisfeito com o que possa ter via fundo partidário.

2. O senhor filiou-se a um partido pequeno, com pouco tempo de televisão e poucos recursos. Como pretende fazer campanha?

Eu não tenho obsessão para chegar lá. Quem vai decidir se eu vou estar lá ou não vai ser o povo brasileiro. Se eu for fazer a mesma coisa que os outros, procurar alianças, recursos, e com as alianças vier o tempo de televisão, eu estarei me igualando aos demais pré-candidatos.

3. Caso vença a eleição, como o senhor pretende governar em minoria no Congresso?

Eu serei o único pré-candidato que, quando começarem as eleições, já terei todo o ministério apresentado. Eu não vou esperar acabarem as eleições, como todo mundo faz, a futura vitória nas urnas, e depois ir para os porões do Jaburu juntar com as pessoas conhecidas de sempre do Legislativo, para lotear o governo. Para fazer a mesma coisa, estou fora.

4. Haveria algum grupo de partidos que seriam seus aliados preferenciais?

Não tenho. Ninguém chegou para tentar negociar comigo nada. Nenhum partido. Esses dias, eu conversei com o astronauta Marcos Pontes (tenente-coronel da Força Aérea Brasileira, hoje na reserva) a gente teve uma conversa de uns 40 minutos em Brasília. Ele quer, no futuro, dado a sua vida pregressa, formado pelo ITA, sua vida da Nasa, a experiência que ele tem em Ciência e Tecnologia e Inovação, queria participar do governo futuro. Não é como ministro, participar do governo, apenas.

5. O senhor elogia o presidente Donald Trump (Estados Unidos) como um modelo. Recentemente, ele adotou uma política unilateral sobre as importações de aço, que pode afetar diretamente milhares de empregos no Brasil. O que senhor acha disso?

Ele está partindo para o bilateralismo, essa é a intenção dele. Gostaria também de fazer a mesma coisa, acho que fica muito mais livre, porque nós temos o que oferecer para o mundo. A política do Trump eu vejo com bons olhos, apesar de não ser economista e, pelo que vejo do Paulo Guedes [“excelente nome para Fazenda e Planejamento,”], muita coisa dá para aproveitar.

6. E essa questão do muro no México?

Ele (Trump) quer cérebros lá dentro. No lugar dele eu faria a mesma coisa. Porque junto com gente boa entra quem não presta. Olha a nossa querida Roraima, Boa Vista e Pacaraima. Eu estive lá. Hoje em dia calculam que Boa Vista tem em torno de 40 mil venezuelanos. E olha só, a ditadura, quando começa a tomar forma, a elite é a primeira a sair. Essa foi pra Miami. A parte mais intermediária, grande parte foi para o Chile. E agora os mais pobres estão vindo para o Brasil. Nós já temos problemas demais aqui. Se vamos incorporar aquele exército que recebe Bolsa Família, quem vai pagar isso aí? Vamos aumentar impostos?

7. E qual a solução?

Primeiro, via Parlamento, revogar essa lei de imigração aí. Outra, fazer campo de refugiados. E em vez de esperar passar o vexame do (Nicolás) Maduro expulsar os nossos embaixadores, já era para ter chamado há muito tempo e tomado outras decisões econômicas contra a Venezuela.

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