Sexta-feira, 13 de Dezembro de 2019

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Brasil Bolsonaro recomenda que usuários de cheque especial migrem para a Caixa

Live semanal do presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Reprodução)

Em transmissão ao vivo pelas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) fez uma série de propagandas para a Caixa Econômica Federal, que é um banco estatal. Ao lado do presidente da instituição, Pedro Guimarães, Bolsonaro recomendou que os correntistas que utilizarem o limite do crédito especial migrem para a Caixa. “Pessoal, vem para Caixa, pô, já que você quer entrar no cheque especial. Se você não quiser, tudo bem, continua no seu banco aí”, disse.

“Eu, graças a Deus, nunca tive [cheque especial]. ‘Ah, o cara é deputado federal?’ Não, não, não. Calma lá. Desde o meu tempo de tenente, capitão, três filhos naquela época, filhos pequenos, também nunca entrei em cheque especial, não. Eu acho que quem precisa, tudo bem, e todo mundo reclama de cheque especial. Reclamam inclusive porque a taxa Selic diminui e lá na ponta nada”, afirmou.

Guimarães então disse, espontaneamente, não ter sofrido qualquer pressão de Bolsonaro ou do ministro Paulo Guedes (Economia) para reduzir os juros do banco.

Ele prometeu que se a taxa básica de juros da economia, a Selic, diminuir, ele dará continuidade a uma política de cortes.

No passado, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) foi criticada por sua política de juros dos bancos públicos.

Na terça (12), a Caixa anunciou o corte pela metade a taxa de juro do cheque especial em um momento em que Banco Central e governo vem pressionando os grandes bancos brasileiros a repassar a queda da Selic para consumidores.

A partir de dezembro a taxa no banco será reduzida de 9,99% para 4,99%. Na média, segundo dados do BC, o juro do cheque especial da Caixa Econômica era de 9,41% na semana encerrada em 29 de outubro.

Bolsonaro ainda fez um alerta dizendo que mesmo os juros do cheque especial da Caixa estarem em 4,99% ao mês, menos da metade do cobrado por instituições privadas, é um preço alto.

“É por mês, em pessoal, é salgado. A taxa Selic tá 5% ao ano”, disse.

O presidente encerrou a live cantando uma antiga propaganda da Caixa e brincando que Guimarães deveria contratá-lo.

“Vem para Caixa você também, vem”, brincou.

O anúncio vem uma semana depois de o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmar que lançará, em breve, um projeto para redesenhar o cheque especial. Dentre as possibilidades, a autoridade monetária estuda a criação de uma tarifa mensal, que seria cobrada pelos bancos dos clientes que quiserem acesso a uma linha emergencial. Essa situação é proibida atualmente.

Segundo o Banco Central, porém, que discute o projeto com bancos, não há nenhuma decisão concreta sobre como esse redesenho se dará.

Os 9,99% já eram mais baixos que a taxa média cobrada pelos bancos privados e fizeram parte de uma primeira rodada do banco público de corte de juros cobrados de seus clientes. A taxa média do cheque especial é de 12,4% ao mês, a mais cara do sistema financeiro.

Já a Selic está em 5% ao ano, o menor patamar a história. O custo do cheque especial pouco se mexeu desde que a taxa básica de juros entrou em queda. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

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