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Bolsonaro vai “amaciar terreno” no Congresso e a reforma da Previdência pode ser aprovada em agosto, disse o vice-presidente Hamilton Mourão

Mourão despontou com uma imagem arejada em relação à campanha eleitoral. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Assim que se recuperar da cirurgia que retirou a bolsa de colostomia, o presidente Jair Bolsonaro vai chamar as bancadas e líderes de partidos para discutir os ajustes finais da reforma da Previdência. Segundo o blog da jornalista Andréia Sadi, o presidente quer uma “conciliação” na questão da idade para a aposentadoria.

A expectativa do Palácio do Planalto é a de que o presidente tenha alta no final desta semana. O vice-presidente Hamilton Mourão disse no domingo (10) que conversou com o presidente e se surpreendeu com sua “rápida recuperação”. “Até brinquei com ele que estava indo a um churrasco e ele: ‘Poxa! Assim você acaba comigo, eu aqui no hospital!'”, afirmou Mourão.

Sobre a reforma da Previdência, Mourão disse que, quando o presidente conversar com as bancadas, o gesto dará uma “amaciada no terreno” para a aprovação da reforma. Na previsão dele, se houver uma “concertação” com os políticos, a Previdência estará aprovada em agosto – na Câmara e no Senado.

“Precisa ter a articulação política e uma comunicação eficaz – não só para a população, mas para os congressistas, para aqueles que não entendem a realidade. É um problema de todos, a bomba está armada. Todo mundo precisa ajudar”, disse Mourão.  O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que ainda não há definição do relator da reforma da previdência na Casa.

Imagem arejada

Com o afastamento do presidente e os ministros resguardados, Mourão despontou com uma imagem arejada em relação à campanha, quando deu declarações polêmicas sobre o 13º salário e as “fábricas de desajustados”, sobre famílias de mães solteiras. Ele construiu boa relação com a imprensa, irritando bolsonaristas que atacam a mídia.

No exercício da Presidência, no dia 29, Mourão defendeu que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fosse liberado para comparecer ao enterro do irmão Genival Inácio da Silva por uma “questão humanitária”. Ao receber representantes da CUT (Central Única dos Trabalhadores) – ligada ao PT – para falar sobre a reforma da Previdência, ponderou que isso era “democracia”.

Ele também irritou auxiliares da área internacional, para quem Mourão teria avançado o sinal nas avaliações sobre a Venezuela, afirmando, por exemplo, que o Brasil poderia prestar ajuda humanitária ao País enviando medicamentos e comida, até mesmo as coletadas por meio de doações de brasileiros.

Para evitar rumores de “fogo-amigo”, as críticas internas ao vice acabaram terceirizadas para aliados de fora do governo, mas próximos à família Bolsonaro. O filósofo Olavo de Carvalho, apontado como o “guru” de Bolsonaro – e padrinho de dois ministros, o chanceler Ernesto Araújo e o da Educação, Ricardo Vélez-Rodríguez – chamou Mourão de “charlatão desprezível” e o acusou de tramar contra o presidente.

Também ligado aos auxiliares da área internacional e ao filho mais novo, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), Steve Bannon, ex-estrategista do presidente dos Estados Unidos Donald Trump, disse que Mourão é “desagradável, pisa fora da sua linha”, e que foi uma decisão sábia Bolsonaro não lhe delegar responsabilidades. Bolsonaro não delegou atribuições a Mourão e ainda vetou que o vice se instalasse no terceiro andar do Planalto.

Em meio a esse acirramento de ânimos, contudo, Mourão tem saído em defesa do presidente, e seus interlocutores ressaltam que ele mantém boa relação com Bolsonaro. Quando ficou evidente que havia uma divergência entre Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, quanto à idade mínima de homens e mulheres para a aposentadoria, Mourão protestou que não era esse o desejo do presidente: “Ele que foi eleito, nós aqui somos atores coadjuvantes”.

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