Últimas Notícias > Notícias > Brasil > A Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, aprovou remédio genérico para o tratamento do câncer de próstata

O Brasil já sofre um calote superior a 250 milhões de dólares da Venezuela

O presidente Nicolás Maduro estaria fazendo "atrasos estratégicos" nos pagamentos. (Foto: Reprodução)

Organismo internacional responsável por discussões e restruturações relativas a dívidas entre países, o Clube de Paris será comunicado pelo Brasil sobre um calote de US$ 262 milhões da Venezuela, confirmaram fontes ligadas ao governo à imprensa.  Em termos técnicos, a denominação para a pendência do país governado por Nicolás Maduro está em situação de “default”, ou seja, sem honrar os seus compromissos.

O valor não quitado venceu em setembro. Para janeiro, está por vencer uma segunda parcela, estimada em US$ 270 milhões. Pelas regras do Clube, uma dívida deve ser renegociada de maneira coordenada e não individualmente. Caracas está fazendo uma espécie de “default estratégico”, com atrasos de pagamentos específicos. Em abril, por exemplo, Maduro não quitou uma dívida com a Rússia – que foi paga em setembro, quando a pendência com o Brasil deveria ter sido honrada. O que não ocorreu.

Os US$ 262 milhões em questão são referentes a créditos relativos à exportações cobertos pela ABGF (Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias, que é uma empresa pública. Por isso, se o não pagamento se estender até os 120 dias de atraso, será ela quem terá que pagar o financiamento realizado pelos bancos – nesse caso, o Banco da China, BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e o Credit Suisse.

O valor, em si, não é considerado alto nas relações internacionais, mas já é um sinal de que os venezuelanos não estão mais conseguindo honrar seus compromissos.

No fim da noite de segunda-feira, a agência de classificação de risco S& P (Standard & Poor’s), uma das mais renomadas do setor no cenário internacional, declarou que a Venezuela está em situação de “default seletivo” por não pagar uma dívida de US$ 200 milhões. Por esse motivo, rebaixou mais uma vez a nota do país chavista.

“Nós abaixamos o rating para dois níveis, em ‘D’, e cortamos o rating a longo prazo para ‘SD’ (default seletivo)”, escreveu a agência, explicando que tomou a decisão após os 30 dias concedidos para a realização dos pagamentos dos títulos 2019 e 2024. Esse rating significa que, apesar de não ter quitado os pagamentos de bônus de dívidas, há a intenção manifestada pelo governo devedor em fazer o pagamento.

A agência fez o anúncio na noite de segunda-feira, poucas horas depois de uma reunião em Caracas entre o governo de Maduro e credores internacionais, aos quais não foi apresentado um plano concreto para a renegociação de sua dívida externa, de quase US$ 150 bilhões.

A reunião durou apenas 25 minutos, mas foi considerada “um sucesso” pelas autoridades chavistas. Os credores, no entanto, saíram decepcionados. O vice-presidente Tareck El Aissami leu um texto no qual prometeu novos encontros para “avaliar propostas”, sem estabelecer datas, afirmaram algumas fontes. Aissami declarou ao canal estatal de TV que a Venezuela está “blindada”, mas acusou o governo norte-americano de “fechar vias” ao país com as sanções financeiras.

Abalada por uma severa crise econômica, a Venezuela tenta reverter o cenário. Maduro anunciou em 2 de novembro que o país buscaria “refinanciar e reestruturar” a dívida, em consequência de uma “perseguição financeira” comandada pelos Estados Unidos. “O default nunca chegará”, afirmou o presidente no domingo.

Deixe seu comentário: