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Brasileiros chegaram a preencher todas as vagas no Mais Médicos, mas desistência é alta

Alta rotatividade dos profissionais brasileiros fez com que muitas cidades ficassem sem médicos. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Os brasileiros chegaram a preencher todas as vagas no Mais Médicos, mas a desistência é alta. Os postos antes ocupados por cubanos foram preenchidos por brasileiros após editais do fim de 2018.

São enganosas as informações de um tuíte publicado no dia 12 de outubro alegando que 80% das vagas deixadas pelos cubanos no Mais Médicos não foram preenchidas por médicos brasileiros.

Postos que ficaram vagos com a saída de médicos cubanos do programa, foram ocupados após editais de novembro e dezembro de 2018.

No entanto, com alta desistência, em maio deste ano, o governo lançou novo edital para suprir 2.149 mil vagas desocupadas.

O Ministério da Saúde não informou quantos dos postos que ficaram vagos entre dezembro e maio foram preenchidos e o índice de permanência dos médicos até outubro.

O programa do governo federal, que chegou a ter 18,3 mil médicos atuantes em mais de 3.600 municípios brasileiros, conta atualmente com 15 mil profissionais, segundo o Ministério da Saúde.

Desde a saída de Cuba do programa, em novembro de 2018, foram abertos três editais para suprir o quadro de vagas em municípios eleitos como prioritários.

O fim da parceria com Cuba deixou cerca de 8.500 vagas abertas. O Ministério da Saúde abriu uma primeira seleção com 8.517 vagas ainda em novembro, que teve 7.120 postos preenchidos e uma segunda com 1.397 vagas remanescentes em dezembro.

De acordo com o governo, após esse segundo edital, todas as vagas deixadas por cubanos foram preenchidas por brasileiros com registro no CRM (Conselho Regional de Medicina) ou graduados no exterior.

No entanto, conforme apurou o Comprova, a alta rotatividade dos profissionais brasileiros dentro do programa fez com que muitas cidades ficassem sem médicos.

Em maio de 2019, um novo edital foi aberto, com 2.149 vagas em 1.130 municípios que ficam em áreas consideradas vulneráveis ou de extrema pobreza, diante das desistências e casos como fim de contratos.

Se levadas em conta as vagas abertas em maio, após a desistência de profissionais brasileiros, o percentual correto de vagas não ocupadas por médicos locais seria de 25%, ou seja, 75% dos postos iniciais foram preenchidos e não ficaram “vagos”, como apontado no tuíte.

Como o Ministério da Saúde não forneceu dados atualizados, não é possível afirmar a taxa atual de vagas ocupadas no Mais Médicos. A pasta afirmou que a reposição dos profissionais tem sido realizada em municípios com maior nível de pobreza e áreas indígenas, mas não forneceu mais detalhes.

Em agosto, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) editou uma Medida Provisória lançando o Médicos pelo Brasil, em substituição ao Mais Médicos. Com ele, serão supridas apenas vagas abertas em locais mais distantes e de difícil acesso. As demais serão fechadas. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.