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Brasileiros são presos na Itália por fraude para obter passaporte europeu

Brasileiros buscam passaporte italiano. (Foto: Reprodução)

A polícia italiana prendeu sete brasileiros na terça-feira (26), no âmbito da operação “Super Santos”, que por mais de um ano investigou casos de fraude no reconhecimento da cidadania italiana a brasileiros. Outros 800 brasileiros que obtiveram o passaporte ilegalmente estão sendo investigados e deverão ter a cidadania italiana revogada.

Segundo a polícia italiana, em apenas três dias os suspeitos “transformavam cerca de mil brasileiros em cidadãos italianos” —cobravam € 7 mil (aproximadamente R$ 30 mil), em dinheiro vivo.

“As agências de negócios, administradas ilegalmente pelos brasileiros detidos, haviam se transformado em verdadeiras agências de turismo”, afirmou a polícia italiana em nota.

“É necessário respeito e fiscalização”, disse o Ministro do Interior, Matteo Salvini.

“Consentiram à obtenção de mil falsas cidadanias italianas, numa fraude de mais de 5 milhões de euros [cerca de R$ 22 milhões]”.

Além dos brasileiros, um padre da diocese de Pádua também foi detido por ter vendido uma certidão de batismo falsa para confirmar a ascendência italiana de um dos envolvidos.

A partir das certidões falsificadas, os criminosos induziram funcionários públicos a conceder a declaração de residência aos brasileiros em municípios das províncias de Verbania e Novara, na região de Piemonte —um requisito indispensável no processo de reconhecimento da cidadania italiana.

Investigação

Foram meses de interceptações telefônicas, inclusive em português, operações em aeroportos e lugares de chegada, além de centenas de averiguações nos imóveis onde os brasileiros estavam alojados.

Segundo as investigações, foram descobertos milhares de processos falsos para reconhecimento da cidadania.

“Antes de deixar a Itália, os novos italianos postavam no Facebook uma selfie com o passaporte europeu. Atrás deles, a entrada da prefeitura da cidade em que eram residentes fictícios. Pela frente, o sonho, transformado em realidade, de chegar aos Estados Unidos e ao Canadá como cidadãos europeus” afirmou a polícia em nota.

Cancelamento da cidadania

Em fevereiro de 2018 o anúncio do cancelamento da cidadania italiana de 1.118 brasileiros preocupou comunidades às vésperas das eleições legislativas. Com a revogação de seus passaportes, eles perderam também o direito de votar.

Segundo a prefeitura da cidade de Ospedaletto Lodigiano, no norte da Itália, as cidadanias tinham sido concedidas sem os brasileiros de fato residirem ali –é um povoado de 1.500 habitantes próximo a Milão. A residência é obrigatória para quem decide pedir na Itália o reconhecimento de sua cidadania pelo critério de descendência direta, ou “iuri sanguinis”.

A acusação foi de que os processos foram fraudados por um casal de brasileiros que cobrava até R$ 12 mil para auxiliar os interessados na cidadania, que garante o passaporte italiano e, com ele, o direito de morar e de trabalhar em um dos países da União Europeia.

Com as longas filas de espera nos consulados italianos no Brasil, é comum que brasileiros decidam residir na Itália para acelerar o processo do reconhecimento da cidadania. Quem dá a entrada nos consulados tem de por vezes esperar prazos que chegam aos dez anos. Pessoalmente, é possível fazer a burocracia em questão de meses. Esse trâmite é legal e já ocorre há anos.

A acusação da prefeitura de Ospedaletto Lodigiano, motivando o cancelamento das cidadanias, é de que os brasileiros não cumpriram a regra, fraudando sua residência.

Desvio de recursos

A Itália prendeu em fevereiro um brasileiro foragido desde abril do ano passado, acusado de comandar um esquema de desvio de recursos de fundos de pensão municipais.

Segundo a Polícia Federal, Renato De Matteo Reginatto, 37, é dono de uma consultoria de investimentos que prestava serviços para os institutos de previdência. De acordo com a investigação, a fraude alcançou mais de R$ 1,3 bilhão.

Ele foi encontrado em Roma, capital italiana, quando desembarcava de um voo oriundo dos Estados Unidos.

Matteo tentava entrar em território italiano quando foi reconhecido e detido —seu nome constava na lista da Interpol.

Desde que a PF identificou que o paradeiro do brasileiro, o órgão passou a trocar informações com a agência de imigração dos Estados Unidos e também com autoridades italiana.

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