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Cabo Daciolo, um dos candidatos mais citados nas redes sociais durante o primeiro debate presidencial, é investigado no Supremo

Por indisciplina, o deputado já havia sido preso e expulso do Corpo de Bombeiros do Rio depois de liderar uma greve em 2011. (Foto: Alex Ferreira/Câmara dos Deputados)

A PF (Polícia Federal) deve concluir, nos próximos dias, investigação sobre suposto desvio de verba pública pelo deputado Cabo Daciolo (Patriota-RJ), candidato do partido à Presidência. Considerado um dos protagonistas do primeiro debate televisivo entre os presidenciáveis, realizado na noite de quinta-feira (9) na TV Bandeirantes, o militar é suspeito de desviar dinheiro da cota para exercício da atividade parlamentar — conhecida como verba indenizatória — por meio de uma empresa contratada. Ao MPF (Ministério Público Federal), Daciolo negou irregularidades.

Daciolo ganhou a cena no debate por declarações religiosas nas respostas sobre suas propostas de governo e pelas perguntas inusitadas feitas a adversários. A Ciro Gomes (PDT), por exemplo, perguntou sobre a Ursal (União das Repúblicas Socialistas da América Latina) e o suposto plano da esquerda brasileira de transformar a região em uma “única nação”. Acrescentou que, no governo dele, “o comunismo não vai ter vez”.

A PF recebeu a denúncia contra Daciolo em 2015. Com a verba da Câmara, o deputado teria pago R$ 227,5 mil a uma empresa ligada a conhecidos dele. Ainda em andamento, as investigações do MPF apontam para a suspeita de que os serviços de informática não foram prestados pela contratada. De acordo com a apuração, a empresa não tinha empregados registrados no período em que Daciolo a pagou. Outro ponto que despertou a atenção dos investigadores foi a localização dela: uma área residencial.

O prazo para a conclusão do inquérito sobre o caso acabou em junho, mas o Supremo concedeu mais dois meses para o fim das investigações. Procurado pela reportagem, o gabinete do deputado informou que a assessoria de imprensa do candidato é feita por sua esposa.

Em respostas ao Ministério Público, Daciolo nega irregularidades e atribui as denúncias a “opositores políticos”.

Pouco conhecido, Daciolo se tornou um dos termos mais buscados na internet durante o debate de quinta-feira. Além da citação à Ursal, outras declarações dele repercutiram entre os internautas. Questionado sobre os índices de violência contra a mulher no Brasil, ele disse que “o grande problema que a nação está enfrentando hoje é a falta de amor”.

O deputado garantiu participação dos debates presidenciais porque o Patriota tem cinco deputados. Segundo a regra eleitoral, todas as legendas que têm pelo menos esse número de parlamentares devem ser convidadas para os debates. Daciolo foi escolhido candidato pelo partido depois de Jair Bolsonaro desistir de migrar para a sigla e se filiar ao PSL.

Expulsão

Eleito pelo PSOL, Daciolo está em seu primeiro mandato. Ele foi expulso do partido quatro meses depois de assumir a cadeira na Câmara. O rompimento com o partido ocorreu em meio a uma série de desavenças. A última foi uma proposta do deputado que pretende mudar o primeiro artigo da Constituição para “todo o poder emana de Deus”. Antes de chegar ao Patriota, ele passou pelo PTdoB.

Aos 42 anos, o militar nasceu em Florianópolis (SC), mas seu mandato é pelo Rio, onde ganhou projeção ao liderar greve de bombeiros em 2011. Perdeu o cargo, mas foi anistiado. Na Câmara, repete como discurso político que vai “salvar” a “nação brasileira”. Evangélico, não raro, ele segura a Bíblia em seus pronunciamentos na tribuna. Em 2016, ao citar o atraso de pagamentos ao funcionalismo do governo do Rio, o deputado pregou um caminho para o socorro:

“Aí, eu pergunto: de onde virá o socorro? Qual vai ser a solução para essa opressão? De onde virá o socorro? O socorro virá do Senhor, que fez os céus e a terra. Todo poder emana de Deus”, disse.

Atuante nas redes sociais, com vários vídeos postados, Daciolo é autor de 56 projetos na Câmara. A maior parte deles trata de assuntos de interesse de militares: anistia para grevistas, reajustes salariais, a criação do Programa Nacional de Habitação dos Militares das Forças Armadas nos moldes do Minha Casa, Minha Vida, entre outros.

À revista “Época”, no mês passado, ele revelou se inspirar em Enéas Carneiro, fundador do Prona, que recebeu 4,6 milhões de votos e ficou em terceiro lugar na corrida presidencial. Daciolo diz que “o poder o tachou como um louco, mas ele (Enéas) sabia da verdade”. À revista, o deputado falou sobre suas chances na corrida presidencial.

“Todo mundo fala: ‘Daciolo, você está louco’. Para os homens, a minha chance é menor que 0,001%. Mas para Deus, é 100%. Ainda não me botaram em nenhuma pesquisa, mas não vou desistir”, garantiu.

 

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