Cada vez mais os jovens sofrem de depressão e ansiedade por causa da internet

Alta porcentagem de jovens recebeu diagnóstico de transtorno. (Foto: Reprodução)

Um estudo recente foi realizado pelos pesquisadores Glenn Geher, professor e diretor de psicologia na State University of New York, em New Paltz, e sua aluna Julie, sobre os resultados de saúde mental associados a estar separado da família durante os anos da universidade (como quando o estudante faz faculdade em outro Estado, algo que é muito comum nos Estados Unidos). As conclusões foram complexas, mas um dado que chamou a atenção dos pesquisadores: na amostra de mais de 200 estudantes universitários estudados, 59% relataram ter recebido o diagnóstico de algum transtorno psicológico em algum momento.

“Não há dúvida alguma de que ao longo do tempo temos visto um aumento de todos os tipos de transtornos psicológicos entre nossos estudantes”, relata o professor.

Internet e saúde mental

Glenn afirma que em uma conversa com um cientista comportamental mundialmente renomado, Jonathan Haidt, ele chamou sua atenção para o trabalho de Jean Twenge, cujo livro ainda inédito “A geração da internet: por que os jovens hiperconectados de hoje estão crescendo menos rebeldes, mais tolerantes, menos felizes – e totalmente despreparados para a idade adulta – e o que isso significa para o resto de nós” (aqui traduzido) se aprofunda nos efeitos psicológicos de ser membro da geração da internet.

Como é o caso de qualquer avanço tecnológico, a tecnologia da internet (incluindo mensagens de texto, e-mails, Snapchat, Instagram etc.) foi criada para melhorar a condição humana. E é claro que o fez, sob muitos aspectos. Por exemplo, hoje, na maioria dos casos, ninguém no mundo precisa possuir uma enciclopédia, uma lista telefônica ou um dicionário.

A geração da internet (também descrita frequentemente como a geração Z) nasceu mais ou menos entre 1995 e 2005. As tecnologias da internet existem desde que nasceram. Cresceram cercados por essas coisas. Possuem celulares e, em sua maioria, são completamente dependentes deles. Usam mídias sociais, como o Snapchat, incessantemente. É verdade que eles sabem procurar informações, descobrir fatos sobre tópicos de todo tipo e organizar suas vidas de maneiras que os jovens de épocas anteriores nunca puderam. Mas não existe almoço grátis, é claro, e tudo tem seu custo.

A seguir, veja três maneiras pelas quais os smartphones (e as tecnologias relacionadas) podem estar contribuindo para a crise atual de saúde mental.

1. A comunicação não individualizada frequentemente é cruel e mesquinha

Uma constatação comum na literatura de psicologia social é que as pessoas agem de maneira relativamente antissocial quando sua identidade é oculta – quando agem anonimamente. Pense em como as pessoas são desindividualizadas na internet. Existem sites de todos os tipos em que as pessoas podem deixar feedback anônimo sobre empresas, médicos, professores universitários, professores de escolas e outros.

Sob condições ancestrais, nossos antepassados só se comunicavam cara a cara, em contextos em que não havia desindividualização. Em suma, hoje é muito mais fácil os jovens serem mesquinhos e cruéis uns com os outros do que foi em qualquer momento passado da história humana, graças à internet.

2. O telefone celular gera dependência real

Praticamente todos os desejos que os humanos desenvolveram graças à evolução podem ser realizados por meio de nosso celular. Interações sociais, aprovação social, sexo, emoções vibrantes, relacionamentos – qualquer coisa. Não surpreende que uma pesquisa recente da CNN tenha constatado que 50% dos teens são viciados no uso de seus celulares.

Além disso, é importante notar que uma dependência é uma dependência. Pesquisas sobre a natureza das dependências revelam que os circuitos cerebrais associados a adições de qualquer espécie geralmente são mais ou menos os mesmos, independentemente do teor daquelas.

3. As tecnologias da internet estão afastando os jovens da natureza

A evolução levou o homem a passar boa parte do tempo ao ar livre – simples assim. Pesquisas sobre diversos aspectos da psicologia humana mostram que sentimos amor natural pelos diversos tipos de ambientes externos e que se pode teorizar que os humanos evoluíram com “biofilia” – ou amor pelo mundo vivo. Sair na natureza é importante para nós. Os hominídeos ancestrais eram cercados por natureza todos os dias de suas vidas.

Mas hoje não há dúvidas de que as tecnologias da internet afastam os adolescentes e jovens da natureza. Às vezes parece que seria mais fácil levá-los ao dentista. (Folhapress)

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