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Brasil O caso da criança infectada com o vírus HIV após uma transfusão de sangue é raro, disse especialista

Hematologista afirma que caso em transfusão no Acre é o 3º no Brasil desde a descoberta do HIV. (Foto: Reprodução)

O caso da menina de 4 anos infectada pelo Vírus da Imunodeficiência Adquirida (HIV) após uma transfusão de sangue é muito raro, de acordo com o hematologista e hemoterapeuta Denis Fujimoto. O especialista afirmou, durante entrevista no sábado (24), que o caso no hemocentro do Acre é o terceiro registrado no Brasil desde a descoberta do HIV, em 1986.

A Saúde divulgou o caso por meio de nota, na quinta-feira (22), assinada pelo secretário de Saúde do Acre, Gemil Junior, e pela gerente-geral do Hemoacre (Centro de Hematologia e Hemoterapia do Acre), Elba Luiza. Os órgãos afirmam que o caso é uma “fatalidade”. “Em média, o Brasil chega a ter quase 4 milhões de doações ao ano e nesse período todo só três casos aconteceram. Então, realmente a transfusão de sangue é segura. A população pode ficar segura de que os hemocentros públicos e os serviços privados seguem todos os protocolos”, destacou.

O hematologista falou novamente sobre a janela sorológica. Ele explicou que a sorologia foi um dos primeiros testes desenvolvidos para diagnosticar o HIV. O exame consiste em detectar os anticorpos que tentam combater o vírus. No entanto, no período de ao menos 20 dias, existe a possibilidade de a pessoa ter sido infectada e ainda não ter criado anticorpos o suficiente para serem detectados no exame. Na descoberta da doença, essa janela era de 45 dias, mas foi reduzida para 20 devido ao avanço tecnológico dos testes. “Mesmo que o teste seja mais sensível, ainda vai depender da produção desse anticorpo do paciente. Se após o teste sorológico o resultado é negativo o sangue é liberado”, explicou.

Quando questionado sobre o motivo para que a bolsa de sangue não seja colocada em quarentena antes de ser liberada, o especialista afirmou que o material perderia vários componentes que são importantes no tratamento de doenças. “Da doação de sangue se extrai três componentes principais importantes para o tratamento, que é a plaqueta que dura no máximo cinco dias no estoque. Também é extraído o concentrado de hemácias que dura no máximo 40 dias no estoque. Então, [essa espera de 40 dias para liberar a bolsa] não seria aplicável”, destacou.

O hematologista afirma que o Hemoacre seguiu as exigências determinadas pelo Ministério da Saúde para garantir a segurança das transfusões. Ele explicou que os testes que devem ser feitos no sangue são para detectar o vírus HIV, hepatite, o HTLV (vírus-T linfotrópico humano), sífilis e doença de Chagas.

Recentemente, de acordo com o especialista, o Minsiterío da Saúde implantou o NAT (Teste de Ácido Nucleico) que atua pesquisando o vírus no sangue o que consegue reduzir a janela sorológica para sete dias. Porém, reiterou que o exame reduz, mas não zera a janela sorológica. Para o especialista, o Ministério da Saúde, após o ocorrido no Acre, pode rever alguns protocolos e até buscar melhorias no NAT para tentar uma melhor cobertura.

“Do ponto de vista do teste sorológico acredito que está no máximo de evolução. Os hemocentros públicos no Brasil adotam esse teste de 4 ª geração que garante muita segurança do ponto de vista do anticorpo. Talvez, onde possa melhorar, seria justamente no NAT”, explica.

Quanto aos hemocentros no Acre, ele afirma que a melhoria na janela sorológica que é coberta pelos testes pode melhorar com a conscientização das pessoas na hora de doar sangue. “Se aquela pessoa que acha que pode ter contraído ou se exposto a alguma doença dessas, não procure o hemocentro para fazer doação, até porque os testes feitos no hemocentro são para triagem sorológica e não servem para diagnósticos. Quem tiver dúvidas deve procurar um médico e fazer os exames em laboratórios que façam esses exames”, ressaltou.

 

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