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Casos de dengue avançam 339% no Brasil

994 municípios têm alta infestação do mosquito transmissor, o Aedes aegypti. (Foto: Rafael Nedermeyer/Fotos Públicas)

Os casos prováveis de dengue no Brasil chegaram a 451.685 até o dia 13 de abril, conforme boletim divulgado na terça-feira (30), pelo Ministério da Saúde. O número de ocorrências teve um aumento de 339% em relação ao mesmo período do ano passado, quando houve 102.681 casos. O número de mortes também subiu 186,3%, passando de 66 para 123.

Conforme a pasta, 994 municípios – 20% do total pesquisado – têm alta infestação do mosquito transmissor, o Aedes aegypti. Em relação à dengue, o maior número de pessoas doentes está na Região Sudeste, com 65% dos casos prováveis.

Oito unidades da Federação apresentaram incidência superior a 300 casos por 100 mil habitantes. A situação é mais preocupante em Tocantins e Mato Grosso do Sul. Em São Paulo, onde a epidemia se concentra no interior, o índice é de 349,1 casos por 100 mil habitantes.

Conforme o Ministério da Saúde, o aumento no número de casos mesmo fora do verão se deve a condições ambientais como temperatura elevada e chuvas. A pasta identificou alta circulação do sorotipo 2 do vírus, o que contribui para um aumento no número de casos. Quando há mudança no sorotipo circulante, as pessoas infectadas passam a ter sintomas mais evidentes da doença.

Aedes com bactéria que impede transmissão

O Ministério da Saúde anunciou neste mês a última etapa de testes de um método que pretende reduzir a capacidade de o Aedes aegypti de transmitir os vírus da dengue, zika e chikungunya. Conduzido pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), o estudo é feito a partir da inoculação do microorganismo Wolbachia nos Aedes, que, depois, são liberados no ambiente.

Em outras etapas do trabalho, pesquisadores constataram que o mosquito “contaminado” pela Wolbachia perde parte da capacidade de transmitir vírus durante a picada.

“Até agora, experimentos foram feitos no Rio e Niterói, com resultados promissores”, afirmou o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Kleber de Oliveira. A última etapa será feita nas cidades de Petrolina, Belo Horizonte e Campo Grande – cidade do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

“Foi uma coincidência”, afirmou Kleber de Oliveira. A escolha, completou, foi norteada por critérios técnicos, que levaram em conta os dados epidemiológicos, as características geográficas do local e dados populacionais.

As três cidades apresentaram grande número de casos da doença e há infestação importante do mosquito. “Em Campo Grande, há uma estrutura da Fiocruz. O Estado apresentou um aumento significativo de casos de dengue em relação ao ano passado”, disse.

A intenção dos pesquisadores é de liberar os mosquitos contaminados pela Wolbachia no ambiente por meio de drones. Esta etapa terá início no próximo semestre e deverá durar três anos. O Ministério da Saúde vai investir R$ 22 milhões. A ideia será selecionar uma cidade em cada região do País. Na Região Norte, a expectativa é de que seja escolhida a capital Manaus.

O que é a bactéria Wolbachia?

A Wolbachia é um microrganismo presente em cerca de 60% dos insetos. O Aedes aegypti não apresenta o microorganismo. Pesquisadores devem observar nesta nova etapa qual será o comportamento do mosquito. Entre as metas está avaliar se eles vão se tornar predominantes no ambiente. Se tal hipótese se concretizar, há uma possibilidade de o número de casos da doença ser reduzido.

Em 2016, quando o País ainda estava em Emergência Nacional em Saúde Pública para Zika, pesquisadores da Fiocruz comprovaram que a bactéria Wolbachia, quando presente no Aedes aegypti, era capaz de reduzir a transmissão do vírus, que está relacionado a microcefalia em bebês e casos de Guillain-Barré. A pesquisa mostrou ainda que a Wolbachia também reduz a replicação do zika no organismo do mosquito.

O estudo usou dois grupos de mosquitos Aedes: um com Wolbachia, criados em laboratório pela equipe do projeto, e outro sem a bactéria, coletados no Rio de Janeiro. Eles foram alimentados com sangue humano contendo cepas de zika isoladas em São Paulo e Pernambuco.

Depois de 14 dias, os pesquisadores coletaram amostras da saliva desses mosquitos e infectaram 160 insetos coletados na natureza. Nenhum dos 80 mosquitos que recebeu saliva de Aedes com Wolbachia se infectou com o vírus da zika. Já no grupo que recebeu a saliva dos mosquitos sem a bactéria, 85% dos insetos ficaram “altamente infectados”.

Em outra etapa, os mosquitos que receberiam a saliva contaminada pelo zika é que foram divididos entre os sem Wolbachia e os com a bactéria. Quatorze dias depois, período em que o vírus já teria se espalhado pelo organismo do inseto e chegado à glândula salivar, 45% dos mosquitos com Wolbachia tinham o vírus, ante 100% do outro grupo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.