Quarta-feira, 22 de Janeiro de 2020

Porto Alegre
Porto Alegre
22°
Fair

Brasil Celulares roubados no carnaval são desbloqueados e vendidos em “feiras do rolo” no Facebook

Mulher vende 14 celulares “seminovos” em grupo fechado no Facebook após o carnaval. (Foto: Reprodução)

Os blocos de Carnaval se tornaram um sucesso de público e arrastaram milhões de pessoas pelas ruas de diversas cidades brasileiras neste ano, como São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Salvador (BA). Mas em meio à euforia dos foliões, milhares de celulares foram roubados e furtados. As informações são da BBC Brasil.

Mas o que os assaltantes fazem com esses aparelhos, já que a polícia bloqueia o IMEI (número de identificação) assim que o boletim de ocorrência é registrado?

Em 2015, o então secretário da Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, anunciou que esse bloqueio do registro do celular faria o smartphone perder todas as suas funções “e virar uma pedra” na mão dos criminosos. Mas não é o que acontece.

O bloqueio até ocorre de forma efetiva, mas os criminosos descobriram um aparelho capaz de trocar o IMEI bloqueado por outro antigo em uso – o que pode levar a dois celulares a terem o mesmo código. Depois, os assaltantes encontraram nas “feiras do rolo” do Facebook um caminho fácil para desová-los. Alguns grupos do tipo têm mais de 300 mil participantes.

Nesta terça-feira (20), uma mulher ofereceu 14 celulares “seminovos” em um grupo fechado para venda e troca de celulares no Facebook, com 248 mil membros.

Mas, antes de tudo, o aparelho precisa estar funcionando plenamente. Fabricado na China e na Coreia do Sul, o desbloqueador de IMEI apaga a identificação do aparelho registrado no Cadastro de Estações Móveis Impedidas (Cime), da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Isso “engana” o sistema das empresas de telefonia e faz o aparelho ser reconhecido como válido e efetuar ligações e acessar a internet normalmente.

Esse desbloqueador foi proibido no Estado de São Paulo há três anos. Mas, em entrevista à BBC Brasil, o delegado titular da Delegacia de Cybercrimes do Departamento de Investigações Criminais (Deic), José Mariano de Araújo, disse que os criminosos brasileiros passaram a compram o aparelho no Paraguai. Cada um custa cerca de US$ 350 – o equivalente a R$ 1150.

O delegado do Deic diz que hoje apenas dois modelos de celular são imunes ao desbloqueio do IMEI: o iPhone X, fabricado pela Apple, e o Galaxy S8, da Samsung. Com um aparelho desses em mãos, só resta aos assaltantes tentar desmontá-lo e vender suas peças.

José Araújo, que também é professor de cybercrimes e Direito Eletrônico da Academia da Polícia Civil de SP, diz que essa barreira é apenas uma questão de tempo para os criminosos. Como a atualização do desbloqueador é feita on-line, quando um hacker de qualquer parte do mundo conseguir quebrar o código para destravar o IMEI do iPhone X, por exemplo, todos os desbloqueadores do mundo também poderão ter acesso à função.

Desova no Facebook

As “feiras do rolo”, como são conhecidos os comércios ilegais de rua onde são vendidos produtos falsos ou roubados, agora migraram para a internet.

A maior parte desses grupos fechados e secretos está no Facebook e alguns são destinados exclusivamente ao comércio de celulares. A ideia inicial era de que os usuários pudessem vender aparelhos antigos ou com pequenos defeitos, mas criminosos estão aproveitando a plataforma para desovar os aparelhos roubados.

Voltar Todas de Brasil

Compartilhe esta notícia:

Mesmo sem existirem mais, empresas e autarquias extintas pelo governo federal continuam onerando os cofres públicos como se ainda estivessem em funcionamento
Ainda sem um nome para a Segurança Pública, o governo segura o anúncio oficial de criação do Ministério
Deixe seu comentário
Pode te interessar