Últimas Notícias > Atividades Empresariais > Emprego fica estável em junho e fecha primeiro semestre com 392,4 mil novas vagas

Cientistas desenvolveram um implante vaginal para proteger mulheres do vírus HIV

O implante é composto por um tubo oco e dois braços flexíveis para mantê-lo no lugar. (Foto: Divulgação)

Ao mesmo tempo em que uma vacina contra o HIV está sendo desenvolvida nos Estados Unidos, pesquisadores da Universidade de Waterloo, no Canadá, inventaram um implante vaginal com o intuito de proteger a mulher da infecção do vírus da Aids. Ao contrário dos métodos convencionais de prevenção do HIV, como preservativos ou medicamentos, o implante aproveita a imunidade natural do próprio indivíduo contra o vírus.

A ideia do implante é estimular as células T do corpo a não responderem à infecção. O HIV infecta o organismo corrompendo essas células, que são mobilizadas pelo sistema imunológico quando o vírus entra no corpo. No entanto, quando as células T permanecem em repouso e não tentam combater o HIV, elas não são infectadas e o vírus não é transmitido.

Composto por um tubo oco e dois braços flexíveis para mantê-lo no lugar, o implante já foi testado em camundongos. A equipe observou uma redução significativa na ativação das células T.

“Sabemos que alguns medicamentos tomados por via oral nunca chegam ao trato vaginal, então este implante poderia fornecer uma maneira mais confiável de estimular as células T a não responderem à infecção e, portanto, prevenir a transmissão de forma mais confiável e barata”, apontou Emmanuel Ho, professor na Escola de Farmácia de Waterloo.

“O que ainda não sabemos é se isso pode ser uma opção independente para prevenir a transmissão do HIV ou se pode ser melhor usado em conjunto com outras estratégias de prevenção. Nosso objetivo é responder a essas perguntas com pesquisas futuras.”

Antes consideradas desnecessárias e até perigosas para a saúde humana, as células B silenciadas também podem atacar vírus potentes, como o do HIV, de acordo com um novo estudo publicado no periódico Science, na sexta-feira passada.

Os pesquisadores descobriram que a genética que faz com que as células produzam anticorpos para atacar os tecidos do próprio corpo pode ser adaptada e fazer com que as células B silenciadas combatam infecções. Essa descoberta pode abrir caminho para a descoberta de novas vacinas contra o HIV, por exemplo.

Medicamento preventivo no Brasil

No Brasil, o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), braço da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), produzirá o medicamento indicado para a prevenção do HIV, conhecido como Truvada.

Combinação dos antirretrovirais Emtricitabina e Tenofovir, o remédio será preparado dentro de uma Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP) com as empresas Blanver e Microbiológica. A expectativa é de que o produto feito pela PDP passe a ser fornecido para o Sistema Único de Saúde (SUS) ainda no segundo semestre.

O Truvada começou a ser distribuído este ano em alguns serviços de referência do SUS dentro de uma estratégia de terapia de pré-exposição (PrEP), em que pessoas saudáveis tomam o medicamento não para tratar a doença, mas para se proteger de uma infecção.

O remédio atualmente ofertado nos serviços que fazem a PrEP é produzido pela farmacêutica Gillead. A expectativa é de que, com a parceria entre Farmanguinhos, Blanver e Microbiológica, o preço do tratamento caia de forma expressiva. Em nota, o Ministério da Saúde afirma que a queda nos custos será de aproximadamente 60%.

No ano passado, na ocasião da primeira compra feita com a Gillead, o Ministério da Saúde anunciou que seriam gastos US$ 1,9 milhão na aquisição de 2,5 milhões de comprimidos. A quantia seria suficiente para atender uma demanda de cerca de 7 mil pacientes. A pasta estima que, com a produção nacional, o número de pessoas atendidas poderá ser ampliado.
Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, o diretor de Farmanguinhos, Jorge Souza Mendonça, afirmou que, na PDP, a Microbiológica ficará encarregada de produzir a matéria-prima e a Blanver, o medicamento final.

Nessa primeira etapa, caberá à Fiocruz embalar o produto. O sistema é conhecido como tecnologia reversa. A empresa começa com a etapa final do processo e, pouco a pouco, vai dominando os demais estágios de produção.

O prazo inicialmente previsto para que a Fiocruz domine toda a produção do Truvada é de quatro anos. Mas Mendonça avalia que esse período poderá ser mais curto. “Farmanguinhos já tem domínio de parte da tecnologia.”

O diretor contou ainda que o produto desenvolvido pela PDP deverá, numa outra etapa, ser submetido à certificação da Organização Mundial da Saúde (OMS). A medida seria o primeiro passo para o antirretroviral ser fornecido também a o mercado internacional.

A prevenção com medicamentos é indicada no SUS apenas para homens que fazem sexo com homens, transexuais, profissionais do sexo que adotem um comportamento de risco para HIV e casais sorodiscordantes (em que um dos parceiros tem o HIV e outro, não).

Deixe seu comentário: