Últimas Notícias > Capa – Destaques > Brasil e Argentina se enfrentam em amistoso na Arábia Saudita

Cientistas japoneses inventaram a luz “flutuante”

Desenvolvedores esperam que Lucíola encontre aplicações na chamada Internet das Coisas. (Foto: Reprodução)

Engenheiros japoneses anunciaram ter criado uma pequena luz eletrônica do tamanho de um vaga-lume, que é capaz de ser suspensa por ondas de ultrassom e pode eventualmente ser utilizada em telas móveis e até projeção de mapeamento. A informação é da agência de notícias Reuters.

Chamada de Lucíola por sua semelhança com o vaga-lume, a partícula super leve pesa 16,2 miligramas, tem diâmetro de 3,5 milímetros e emite um brilho vermelho que pode iluminar um texto.

Mas seu tamanho minúsculo esconde o poder de 285 micro caixas de som que emitem ondas ultrassônicas que sustentam a luz no ar e têm uma frequência inaudível ao ouvido humano, permitindo que Lucíola funcione em aparente silêncio total.

Levou dois anos para Lucíola chegar a esse ponto, disse o especialista em design de circuitos Makoto Takamiya, um membro do Kawahara Universal Information Network Project, que desenvolveu o dispositivo.

Em última análise, minha esperança é que tais objetos minúsculos tenham capacidades de smartphones e sejam construídos para flutuar por ai e ajudar em nossas vidas cotidianas de maneiras mais inteligentes”, disse o professor da Universidade de Tóquio, que espera que o produto seja comercialmente viável em cinco a dez anos.

Os desenvolvedores esperam que Lucíola encontre aplicações na chamada Internet das Coisas, em que objetos comuns, como carros ou eletrodomésticos, sejam conectados entre si, enviando e recebendo dados.

Equipado com sensores de movimento ou temperatura, Lucíola poderia voar para esses objetos para enviar uma mensagem ou ajudar a compor uma tela em movimento com múltiplas luzes que possam detectar a presença de humanos ou participar de eventos de projeção.

O Projeto de Rede de Informação Universal da Kawahara é um programa financiado pelo governo japonês que faz parte da Agência de Ciência e Tecnologia do Japão e explora os avanços nas tecnologias de informação e comunicação.

Ondas sonoras

No final do ano passado, um grupo de pesquisadores australianos conseguiu, pela primeira vez, armazenar informações contidas na luz em um microchip na forma de ondas sonoras. A descoberta, publicada na revista Nature Communications, é particularmente importante para a computação, que pretende desenvolver um novo tipo de dispositivo capaz de processar dados na velocidade da luz.

Em vez de utilizar elétrons para processar dados, como fazem os aparelhos disponíveis atualmente, os computadores ópticos, como está sendo chamada essa nova geração de dispositivos, usam fótons (partículas elementares que compõem a luz). Isso faz com que eles possam processar dados a uma velocidade 20 vezes maior do que os laptops de hoje em dia. Os cientistas já sabem como armazenar informações em partículas de luz – é a mesma tecnologia utilizada pela fibra óptica. Porém, encontrar uma maneira para um chip de computador conseguir recuperar e processar dados armazenados em fótons é um desafio bem maior, especialmente porque a luz é rápida demais para que os microchips atuais consigam ler. Por isso, a ideia dos pesquisadores foi “desacelerar” a luz, convertendo-a em som.

“A informação em nosso chip em forma acústica viaja a uma velocidade de cinco ordens de magnitude mais lenta do que no domínio óptico”, disse em comunicado a supervisora do projeto, a física Birgit Stiller, da Universidade de Sidnei, na Austrália. “É como a diferença entre um trovão e um relâmpago.” O trovão é o barulho que o raio emite, enquanto o relâmpago corresponde à luz que aparece no céu. O relâmpago pode ser percebido por uma pessoa muito antes do trovão, pois o som demora mais para se propagar.

Ao converter a luz em som, os computadores poderiam ter os benefícios dos dados fornecidos via luz – alta velocidade, sem aquecimento causado pela resistência eletrônica e sem interferência de radiação eletromagnética – e a capacidade de retardá-los o suficiente para que os chips possam processá-los. “Este é um passo importante no campo do processamento de informação óptica, na medida em que este conceito satisfaz todos os pré-requisitos para as gerações atuais e futuras dos sistemas de comunicação óptica”, afirma Benjamin Eggleton, também da Universidade de Sidnei, um dos coautores da pesquisa.