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Cientistas mostraram o primeiro coração impresso em 3D com células humanas

Cientista mostra um coração criado em impressora 3D usando tecidos humanos. (Foto: Reprodução)

Uma equipe da Universidade de Tel Aviv (Israel) apresentou nesta segunda-feira (15) um protótipo de coração humano impresso com tecnologia 3D com tecidos humanos e vasos sanguíneos, um grande avanço no tratamento das doenças cardiovasculares e na prevenção da rejeição dos transplantes.

Os cientistas apresentaram à imprensa o coração inerte do tamanho de uma cereja imerso em um líquido. “É a primeira vez que se imprime um coração integralmente com suas células e seus vasos sanguíneos. Também é a primeira vez que se utiliza matéria e células procedentes do paciente”, afirmou o professor Tal Dvir, diretor da equipe de pesquisa. “Já haviam conseguido imprimir a estrutura de um coração em três dimensões antes, mas não com células e vasos sanguíneos”, insistiu.

Apesar do anúncio, os cientistas destacaram que será necessário superar muitos obstáculos antes que os corações em 3D possam ser utilizados em transplantes. O desafio dos cientistas é fazer com que os corações impressos “se comportem” como os de verdade e, então, transplantá-los para modelos animais, explicou Dvir. “Talvez em 10 anos existam impressoras de órgãos nos melhores hospitais do mundo e estes processos acontecem de modo rotineiro”, afirmou, embora acredite que os pesquisadores devem começar com órgãos mais simples que o coração.

A revista “Advanced Science” publicou o trabalho dos pesquisadores israelenses.

Brasil

Quando a impressão 3D virou assunto no Brasil, nos anos 2000, parecia roteiro de ficção científica. A tecnologia veio dos setores industrial e automobilístico e mostrou, com o tempo, que podia ter impacto na vida real das pessoas. Hoje, ela se expande em centros de pesquisa e startups ligadas a hospitais, que estudam — e aplicam — seus benefícios na área da saúde.

A impressão 3D já ajuda médicos no planejamento de cirurgias complexas, permite a criação de próteses, órteses e implantes personalizados e auxilia estudantes de medicina. O número de pedidos de registro de próteses customizadas é crescente. Já a impressão de tecidos e órgãos, a bioimpressão, parece longe, mas as pesquisas avançam por aqui. As impressoras 3D entraram com força em áreas como ortopedia, oncologia e cardiologia. Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o número de pedidos de análise de próteses feitas sob medida saltou de 39 em 2017 para 156 em 2018. E, só até o início de abril, já foram 85 neste ano.

“Isso mostra uma tendência no campo do desenvolvimento de produtos para a saúde. O tema já foi discutido em consulta pública pela Anvisa e deve avançar para regulamentação neste ano”, diz a agência, em nota.

Uma das áreas de maior expansão é a de customização dos dispositivos médicos. É também a de custo mais acessível no Brasil — protótipos podem ser desenhados em impressoras a partir de R$ 2.500. O material usado interfere no preço.

Na Hefesto, startup de saúde do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, uma equipe finaliza um protótipo alternativo ao gesso usado em fraturas de fêmur em crianças. “No tratamento dessas fraturas, é consenso o uso de um gesso que vai da barriga aos pés. Mas ele é pesado, difícil de ser higienizado, não raro acontecem complicações cutâneas. Estamos na fase final de um protótipo acessível, vazado e leve”, diz o ortopedista Ney Peres, cofundador da Hefesto. O protótipo é impresso em material de garrafa PET. A ideia é que ele dê origem a produtos gerados no tamanho de cada paciente. “A impressão 3D é a melhor maneira de customizar um produto para um paciente. Ainda há muitos caminhos abertos na área de Saúde”, diz Luiz Fernando Michaelis, ortopedista e cofundador da Hefesto.

Muitos médicos estão sendo formados nesse ambiente. Nos últimos anos, cadáveres usados no ensino de anatomia foram substituídos por manequins e, aos poucos, por estruturas impressas em 3D, diz Chao Lung Wen, da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo). Ele coordena o projeto “Homem virtual”, que, além de defender o 3D na aprendizagem de médicos e simulação cirúrgica, produz próteses sob medida para cirurgias de cranioplastia. “O 3D é uma tecnologia importante para repor um pedaço da calota do crânio. Reconstruímos um molde a partir de cortes tomográficos de exames de imagem. Essa prótese é essencial para o paciente não sofrer disfunção cerebral”, conta.

 

 

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