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Cinco dos dez candidatos a procurador-geral da República são do chamado “Grupo de Janot”, em uma referência a Rodrigo Janot, antecessor de Raquel Dodge

A eleição para a definição da lista tríplice está marcada para o dia 18 de junho. (Foto: Reprodução)

A divulgação dos candidatos à lista tríplice da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) revela que, dos dez inscritos, cinco são do chamado “Grupo de Janot”, uma referência ao ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, antecessor de Raquel Dodge.

A eleição para a definição da lista tríplice está marcada para 18 de junho. Os três candidatos que receberem mais votos terão o nome levado ao presidente Jair Bolsonaro, que não é obrigado a escolher algum integrante da lista. O mandato de Raquel Dodge acaba em setembro, e ela pode ser reconduzida para um novo mandato.

Segundo integrantes do Ministério Público, são do “Grupo de Janot” os seguintes candidatos a procurador-geral da República: Blal Dalloul, procurador regional; José Bonifácio Borges de Andrada, subprocurador; Luiza Frischeisen, subprocuradora; Nívio de Freitas Silva Filho, subprocurador; Vladimir Aras, procurador regional da República.

Apesar da predominância de aliados de Janot na disputa deste ano, a lista também inclui nomes fortes e populares no MPF (Ministério Público Federal), entre os quais os dos procuradores regionais José Robalinho Cavalcanti e Vladimir Aras. A disputa deste ano quebra a tradição de somente subprocuradores poderem se candidatar a uma vaga na lista tríplice.

A participação de procuradores regionais na disputa tem sido vista com reservas por alguns integrantes do Ministério Público. O atual vice-procurador-geral, Luciano Mariz Maia, por exemplo, já se posicionou contra a possibilidade de integrantes de várias carreiras diferentes disputarem uma vaga.

Bastidores das campanhas

Segundo investigadores, os procuradores regionais Blal Dalloul e Vladimir Aras têm as campanhas mais organizadas até o momento e ganham destaque no “Grupo de Janot” por terem sido auxiliares diretos do ex-procurador-geral. Nos bastidores, Blal Dalloul e Vladimir Aras são considerados opções iguais ou até mais fortes do que subprocuradores que também concorrem. Apesar de pressionados pelo cargo que ocupam, Vladimir e Blal têm o apoio da ala jovem do MPF que atuou durante a gestão de Rodrigo Janot.

O subprocurador José Bonifácio, que chegou a ser vice de Rodrigo Janot e é um dos mais experientes, tem atuações em varias áreas do MPF, incluindo a coordenação criminal. Janot, inclusive, nunca escondeu que desejava que Bonifácio, descrito com perfil conservador, fosse candidato.

Já os subprocuradores Nívio de Freitas e Luiza Frischeisen têm uma proximidade grande com Nicolao Dino, primeiro colocado na última eleição, mas que desistiu de concorrer a um lugar na nova lista tríplice. Segundo procuradores, as candidaturas de Nívio e de Luiza só aconteceram após a desistência de Nicolao. Segundo esses mesmos procuradores ouvidos pelo blog, os dois se tornaram membros do Conselho Superior do Ministério Público com boa votação e trabalham coordenados.

Diferentes perfis

Entre os que não fazem parte do chamado “Grupo de Janot”, está Robalinho Cavalcanti, ex-presidente da ANPR. De todos candidatos, é o que tem mais contato com integrantes da base do governo no Congresso Nacional e com o Judiciário. O deputado capitão Augusto (PR-SP), ligado ao presidente Jair Bolsonaro, é um dos que declararam apoio a ele publicamente.

O procurador regional da República Lauro Cardoso, de formação militar, também se candidatou e tem contato com integrantes do atual governo e da base aliada de Bolsonaro. Apesar de ter trabalhado como secretário-geral na gestão de Janot, Cardoso não é visto como parte do grupo do ex-procurador-geral, uma vez que apoiou Raquel Dodge.

Outro concorrente que não integra um grupo específico é o subprocurador Mario Bonsaglia, que já esteve na lista tríplice duas vezes. Bonsaglia participa dos debates no órgão e, no início do ano, encabeçou o manifesto contra a proposta de Dodge de gratificação e ofícios.

Os subprocuradores Antonio Carlos Fonseca Silva e Paulo Eduardo Bueno, afirmam integrantes do Ministério Público, têm perfil discreto e, a apesar de menos conhecidos, realizaram trabalhos destacados na área de defesa do consumidor.

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