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Cinco mulheres vão comandar os cargos mais importantes da Justiça brasileira

Entre elas está Raquel Dodge, aliados e desafetos concordam: é refinada, tem sólida formação jurídica, com mestrado em Harvard, e não desiste no primeiro revés. (Foto: AE)

Esta, nem as mais radicais feministas imaginaram: entre 15 e 28 de agosto, o País terá cinco mulheres comandando os cinco cargos mais importantes da Justiça brasileira. Cármen Lúcia no STF (Supremo Tribunal Federal), Laurita Vaz no STJ (Superior Tribunal de Justiça), Raquel Dodge na PGR (Procuradoria-Geral da República), Grace Mendonça na AGU (Advocacia-Geral da União) – e, a partir do dia 15, Rosa Weber no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O quinteto vale por 13 dias. Dia 28, Laurita deixa o STJ.

Cármen Lúcia

Alguns dos pequenos gestos da ministra Cármen Lúcia indicam como ela lida – ou busca lidar – com a “coisa pública”.

Cármen Lúcia usa seu carro particular para trabalhar. E ela mesmo o dirige. Dispensa carro oficial e motorista. Recusa-se a receber diárias se viajar em compromissos oficiais. A página da transparência do Supremo mostra alguns exemplos disso. No dia 26 de março de 2015, devolveu R$ 10.439,68 referentes às diárias que teria direito por uma viagem a Bruxelas (Bélgica).

Laurita Vaz

Laurita Vaz formou-se em direito em 1976 pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO). Especializou-se em Direito penal e em Direito agrário na mesma instituição. Foi promotora de Justiça do Ministério Público do Estado de Goiás entre 1978 e 1984, quando ingressou no Ministério Público Federal como procuradora da República. Foi promovida a procuradora regional em 1997 e a subprocuradora-geral da República em 2000. Foi membro do Conselho Penitenciário do Distrito Federal entre 1986 e 1998, presidindo-o de 1995 a 1997.

Em 2001, foi nomeada ministra do Superior Tribunal de Justiça pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, em vaga destinada a membro do Ministério Público, após indicação em lista sêxtupla por seus pares do MP e em lista tríplice pelos membros do próprio tribunal. Tomou posse em 26 de junho de 2001.

Raquel Dodge

Serena e afável para os amigos, mas autoritária e centralizadora, segundo antagonistas. Aliados e desafetos concordam: é refinada, tem sólida formação jurídica, com mestrado em Harvard, e não desiste no primeiro revés.

Em 2013, ela entendeu o recado de Eliana Calmon, virou a página do STJ e voltou-se ao MPF. Em 2015, participou da eleição interna da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), que entrega ao Palácio do Planalto a sugestão de três nomes para o comando da PGR. Ficou em terceiro no processo que reconduziu Janot. Passados mais dois anos, em junho, ela foi a segunda mais votada pelos colegas, atrás de Nicolao Dino (621 a 587), o favorito de Janot.

Grace Mendonça

Grace Maria Fernandes Mendonça é a primeira mulher a assumir oficialmente o cargo de advogada-geral da União. Nascida em 17 de outubro de 1968, é natural de Januária (MG), casada e tem três filhas. É bacharel em Direito pela Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal, especialista em Direito Processual Civil e mestranda em Direito Constitucional. Foi professora titular de Direito Constitucional, Processual Civil e Direito Administrativo na Universidade Católica de Brasília entre os anos de 2002 e 2015.

Rosa Weber

Weber foi a primeira juíza do trabalho e a terceira mulher a se tornar ministra na história do STF. Aos 69 anos, tem pela frente apenas mais alguns anos no Supremo – ministros são obrigados a se aposentar aos 75. Filha de um médico e de uma pecuarista, Weber é casada com um procurador do Estado aposentado e tem dois filhos. É fluente em francês e torce pelo Internacional.

Nascida no Rio de Janeiro, se formou em Direito na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde desenvolveu boa parte da carreira. Entrou para a magistratura em 1976 e alcançou o cargo de juíza do Tribunal Regional do Trabalho em Porto Alegre em 1991.

Deu aula de direito por apenas um ano, entre 1989 e 1990, na PUC-RS. Em 2006, foi indicada para o Tribunal Superior do Trabalho pelo então presidente Lula. O perfil mais técnico e menos político de Weber foi um dos fatores que pesaram a seu favor quando foi indicada pela presidente Dilma Rousseff, em 2011, para assumir o lugar da ex-ministra Ellen Gracie na Corte Suprema. À época, o governo petista buscava um nome que tivesse forte currículo jurídico e cuja indicação não gerasse controvérsia.

Dilma já havia expressado intenção de indicar uma mulher e analisava vários nomes. Weber foi amplamente defendida pelo então governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, e pelo ex-marido da presidente, Carlos Araújo.

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