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Ciro Gomes e Marina Silva frustraram, ao menos por enquanto, o plano de Fernando Haddad de se apresentar como representante de uma frente democrática contra Jair Bolsonaro no segundo turno

Os candidatos do PDT (E) e da Rede (D) foram derrotados no primeiro turno. (Foto: Reprodução)

Derrotados no primeiro turno, Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede) frustraram, ao menos por ora, o plano do candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, de se apresentar como representante de uma frente democrática contra Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno. Os dois presidenciáveis sinalizaram que não vão embarcar de cabeça na campanha petista, diferente do que planejava o ex-ministro petista Jaques Wagner.

Conforme já havia adiantado a aliados, Ciro embarcou na quinta-feira para a Europa, onde deve permanecer por um período de cinco a sete dias, acompanhado de familiares. Quando voltar, na semana que vem, faltarão apenas dez dias para a eleição.

A adesão total de Ciro à campanha era tratada como questão de tempo pelos aliados do presidenciável petista. No plano traçado, a construção da frente começaria pelo PDT para depois atrair eventualmente o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e Marina Silva, candidata da Rede.

Anteontem, o PDT declarou apoio crítico à candidatura de Haddad no segundo turno. “Não há nenhum encontro marcado com a campanha do Haddad. Manteremos nossa posição de ter um apoio crítico”, disse o presidente nacional do partido, Carlos Lupi.

Após reunião que entrou pela madrugada de ontem, Marina Silva e os dirigentes da Rede anunciaram que não apoiam nenhum dos dois candidatos que chegaram ao segundo turno, mas disseram que o eleitor não deve apoiar Bolsonaro. Marina disse que há problemas éticos tanto do lado do PT, quanto do militar:

“A decisão do partido considera que nenhum dos dois projetos representa os anseios políticos econômicos e sociais do Brasil. Ambos têm graves problemas do ponto de vista ético. Recomendamos que nenhum voto seja dado a Bolsonaro pelo que ele representa contrário à democracia e à proteção dos direitos humanos”.

Ao responder se estaria dando apoio indireto a Fernando Haddad, respondeu: “Em relação ao outro candidato, que as pessoas votem de acordo com a sua consciência. Poderão votar nulo, branco ou qualquer que seja o voto”.

Insuficiência

Para os petistas, o apoio crítico de Ciro não é suficiente. A ideia era que o pedetista tivesse uma função importante na campanha para impulsionar a transferência dos 13,3 milhões de votos que obteve no primeiro turno. Aliados de Haddad falavam também que o pedetista seria um nome certo no ministério de um eventual governo, com direito a uma pasta importante.

Em entrevista a uma emissora de rádio em São Paulo (da qual foi prefeito de 2013 a 2016), o candidato do PT minimizou a posição adotada por Ciro e e seu partido: “Esse é um processo que vai durar a primeira semana, segunda semana, para a gente chegar na reta final com um amplo apoio das forças progressistas”.

Na mesma entrevista, ao responder se queria o apoio do tucano Fernando Henrique Cardoso, Haddad respondeu: “Se eu falo que quero e ele diz que não dá, é uma coisa ruim para mim e para ele. O bom é a gente ir se aproximando para ir construindo um entendimento”.

Com as dificuldades impostas pela posição do PDT e pela viagem de Ciro, Haddad deu início a uma aproximação com o advogado Joaquim Barbosa ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), algoz do PT no mensalão e que que chegou a ensaiar neste ano uma pré-candidatura ao Palácio do Planalto. Os dois se encontraram de forma reservada, na noite de anteontem, na casa de Barbosa, em Brasília.

De acordo com aliados, Haddad tem interesse, caso seja eleito, em convidar Barbosa para assumir o Ministério da Justiça. A indicação serviria como uma sinalização de que seu governo dará todo apoio ao Judiciário. “Não fui visitar o Joaquim Barbosa por outra razão. Quero escolher os melhores quadros e as melhores propostas para aprimorar o combate à corrupção no Brasil”, disse Haddad.

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