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Com a Selic mantida em 6,5% ao ano, a caderneta de poupança bate a maioria dos fundos de investimento com renda fixa

Baixo patamar da taxa demanda maior empenho dos investidores por bons retornos. (Foto: Banco de Dados/O Sul)

A manutenção da Selic (a taxa básica de juros) em 6,5% ao ano deixou a poupança mais atrativa que a maioria dos fundos de investimento de renda fixa, em especial aqueles com taxas “salgadas” de administração, de acordo com simulações feitas pela Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).

Nessa quarta-feira, o Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu manter o índice (que está em seu menor patamar histórico), apesar de o mercado esperar novo corte da taxa básica, em meio a um cenário que considera a inflação sob controle e a atividade econômica ainda fraca no País.

A Anefac estima o rendimento mensal da poupança em 0,37% com a Selic a 6,5% ao ano. Pelas contas da entidade, fundos com taxa de até 0,5% ao ano ganham da poupança, independentemente do prazo de resgate considerado. A caderneta empata com fundos com taxa de 1% ao ano em caso de resgate em até seis meses e perde se o prazo for superior a esse período.

A poupança ganha de fundos com taxa de administração de 1,5% se o resgate for feito em até um ano, empata se o saque ocorrer entre um e dois anos. Acima disso, a caderneta perde. Já fundos com taxas iguais ou superiores a 2% ao ano perdem para a caderneta independentemente do prazo considerado.

Surpresa

A manutenção da Selic surpreendeu o mercado, que esperava por um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros na reunião deste mês, levando a Selic para 6,25% ao ano, segundo as projeções do Boletim Focus do BC (Banco Central). Se isso acontecesse, seria o décimo terceiro corte consecutivo na taxa.

Mesmo com o fim do ciclo de cortes da Selic, o baixo patamar da taxa continua demandando maior empenho dos investidores na busca por bons retornos, já que o País segue em queda livre no ranking de juros reais do site MoneYou em parceria com a Infinity Asset Management.

“Quando a Selic estava em torno de 14% ao ano, o juro real era muito alto. Tinha liquidez, alta rentabilidade e baixo risco. Agora, o investidor vai ter que abrir mão de uma dessas três coisas para continuar tendo os mesmos retornos de antes”, diz Gilberto Abreu, diretor de Investimentos do Santander.

“As pessoas estão procurando alternativas. Isso explica mais gente entrando na Bolsa ou indo para opções mais sofisticadas de investimentos, como debêntures incentivadas e fundos de investimento”, acrescentou. A diversificação, segundo ele, nunca foi tão importante: “Os investidores no Brasil estavam acostumados em ter retornos altos sem correr risco, ficando apenas na renda fixa. Agora, estão mais próximos da realidade internacional, onde é preciso lidar com várias aplicações para compor uma carteira que proporcione os mesmos retornos do passado”.

Segundo Martin Iglesias, especialista em investimentos do Itaú Unibanco, além da queda da Selic, algumas incertezas no Brasil, como as eleições presidenciais deste ano, reforçam a necessidade de os investidores formarem um portfólio diversificado de aplicações.

Investimentos

Além da queda na remuneração da poupança, o patamar mais baixo da Selic também reduz o retorno de outros investimentos de renda fixa, diminuindo a diferença de rentabilidade entre a caderneta e as demais aplicações —em alguns casos, a poupança pode até render mais, dependendo do prazo.

Vão render menos os CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) com taxas pós-fixadas, os fundos DI; e o Tesouro Selic, título público negociado pelo Tesouro Direto que paga ao investidor a variação da taxa básica. Essas três opções têm seu rendimento atrelado à taxa Selic ou à taxa DI (CDI), que é bem próxima ao patamar do juro básico.

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