Últimas Notícias > Capa – Caderno 1 > Empresários recuam em onda de apoio a Bolsonaro para não se expor

Com alertas a Haddad, as centrais sindicais anunciaram apoio a ele no segundo turno

Candidato do PT deu declaração ao comentar atos de violência registrados nos últimos dias. (Foto: Ricardo Stuckert)

Centrais sindicais, entre elas algumas que apoiaram Ciro Gomes (PDT) e Guilherme Boulos (PSOL) no primeiro turno da eleição presidencial, declararam apoio ao candidato do PT ao Planalto, Fernando Haddad, para o segundo turno da disputa. Nos discursos dos sindicalistas, houve alertas para que a campanha do petista mude sua estratégia e comece a “encantar” o povo.

Ao lado de Haddad, anunciaram o apoio CUT(Central Única dos Trabalhadores), Força Sindical, UGT (União Geral dos Trabalhadores), CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros), NCST (Nova Central Sindical dos Trabalhadores) e Intersindical.

Nos discursos, os líderes das centrais reforçaram que o apoio a Haddad tem como objetivo impedir que Jair Bolsonaro (PSL) seja eleito, o que seria um “retrocesso” para a democracia no País, na opinião desses sindicalistas. No manifesto lançado pelas entidades, há um apelo para voto em Haddad afirmando que há uma massa de desempregados e desalentados “iludida pelo canto da sereia” e desorientada pela profusão de notícias falsas e disseminação do ódio, em referência ao candidato do PSL.

Sindicalistas chamaram atenção, contudo, para mudanças que a campanha precisaria ter se quiser vencer as eleições no segundo turno. “Nas redes sociais, estamos falando muito do outro e pouco da gente”, disse o presidente da CTB, Adilson Araújo. “A criminalização da política é para tirar a gente do jogo, se continuar assim nós vamos perder”, afirmou, reforçando que era preciso “começar a encantar o povo.”

Ministros

O ex-ministro e ex-governador Jaques Wagner (PT), senador eleito pela Bahia nas eleições 2018 e um dos coordenadores da campanha do candidato à Presidência Fernando Haddad (PT), afirmou nesta quarta-feira (10), que nomes de ministros de um eventual governo petista podem começar a ser anunciados antes da eleição a fim de acalmar os eleitores desconfiados com o partido.

Segundo Wagner, essa preocupação tem sido demonstrada por Haddad e, por isso, as pastas da Educação, Fazenda e Justiça podem ter divulgados “nomes que tranquilizem a população”, nas palavras dele. “Pode ser que ele anuncie um, dois, três nomes, na Educação, Fazenda, Justiça. (…) Na Educação, pode ser que anuncie uma sumidade da Educação”, afirmou o ex-ministro.

Segundo ele, no caso da Educação, o anúncio teria a função de minimizar os impactos de fake news referentes, por exemplo, à implantação por Haddad do chamado “kit gay”, cartilha contra a homofobia assim batizada pela bancada evangélica, nas escolas.

Já na Justiça, afirmou, a divulgação do ministro de um possível governo Haddad teria a função de dar recados na área de segurança pública, uma das mais debatidas nesta campanha por causa dos altos índices de violência e da preocupação dos eleitores, além de uma das principais bandeiras do candidato do PSL e capitão da reserva reformado Jair Bolsonaro.

O próprio Wagner defende posições mais duras na área, assim como o seu afilhado político e governador reeleito da Bahia Rui Costa (PT). Os dois conversaram com o presidenciável petista sobre o assunto e orientaram o endurecimento do discurso. “O discurso sobre segurança pública tem que ser duro, senão a população não acredita em você”, disse.

O ex-ministro afirmou ainda que o perfil da equipe econômica do governo Fernando Haddad não é alinhado ao mercado financeiro. O nome ideal, afirmou, “pode ser de alguém da indústria ou algum desenvolvimentista”, mas “seguramente não será alguém do mercado financeiro”, porque “esse perfil do mercado a gente já conhece”.

 

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