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Com Ana Amélia de vice, Geraldo Alckmin tenta conter Jair Bolsonaro no Sul e se descolar de Temer

Ana Amélia é tida como independente no PP e, por isso, considerada cota pessoal de Alckmin. (Foto: Reprodução Instagram)

A aliança selada entre PP e PSDB para a candidatura à Presidência da República deu novos contornos à disputa dos votos de centro-direita, sobretudo no Sul. O “sim” da senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS) para compor a chapa do presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB) permitiu que o tucano se aproxime do eleitorado conservador da região, de um jeito mais familiar.

Pela última pesquisa Datafolha, no mês de junho, Jair Bolsonaro soma 22% de intenções de voto no Sul, enquanto Alckmin tem apenas 5%, bem atrás de Alvaro Dias (Podemos), com 14%.

Antes de decidir pela carreira política, a jornalista Ana Amélia foi um rosto muito conhecido pelos telespectadores de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul quando o assunto era a política nacional e seus bastidores.

Em 2010, disputou seu primeiro mandato para o Senado e foi eleita com 3,4 milhões de votos. Em alta, resolveu concorrer ao governo do Rio Grande do Sul em 2014. Liderava as pesquisas quando acabou desgastada com a descoberta de ter sido funcionária fantasma de seu marido Octávio Omar Cardoso, quando ele foi senador entre 1986 e 1987. Terminou derrotada no primeiro turno.

Conforme o jornal O Globo, a gaúcha de Lagoa Vermelha, 73 anos, é tida como independente no PP e, por isso, considerada cota pessoal de Alckmin. A expectativa é que ela, com perfil conservador e ligação com o setor ruralista, possa atrair um eleitorado que antes estava identificado com Bolsonaro. Justamente no Sul, o capitão da reserva do Exército vem ganhando terreno nas pesquisas. Em 2014, Aécio Neves (PSDB) foi o mais votado no Sul no segundo turno, com 58,9%. A petista Dilma Rousseff teve 41,1%. Para os tucanos, agregar uma mulher à chapa também era crucial.

Ter a senadora como vice, porém, não foi tarefa fácil para Alckmin, que precisou enfrentar a cúpula do PP. O comando do partido relutava em ter o nome de Ana Amélia, já que ela sempre foi tida como independente, apesar de dizer ter uma “relação respeitosa” com o presidente do PP, Ciro Nogueira. Assim, independentemente das evasivas dos integrantes do PP, Alckmin fez o convite. Na quarta-feira, Ana Amélia conversou com Alckmin por cerca de 45 minutos.

Com o acerto, Bolsonaro já sente a primeira baixa. O PP passa a apoiar Alckmin no Rio Grande do Sul, onde antes o candidato do partido ao governo do estado apoiava o ex-capitão. Com o acordo, o deputado Luís Carlos Heinze desiste de ser candidato ao governo gaúcho pelo PP e concorre a senador, na vaga que era de Ana Amélia. Ele vai integrar a chapa do candidato do PSDB ao governo, Eduardo Leite. Para aparar as arestas, Ana Amélia passou a tarde em seu gabinete e fez até uma conferência viva voz com Eduardo Leite.

Vale lembrar que os gaúchos que jamais reelegeram um governador.

 

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