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Com recorde na zaga, entenda como o técnico Tite montou a Seleção Brasileira para turbinar o setor ofensivo

Richarlison na esquerda é aposta de Tite para ter mais presença na área. (Foto: Reprodução)

Ederson, Fagner, Militão, Miranda e Alex Telles; Casemiro; Arthur, Paquetá, Coutinho e Richarlison; Firmino. Essa deve ser a escalação da Seleção Brasileira para o amistoso deste sábado (23) contra o Panamá. O que Tite pretende? Acima de tudo, elevar o poder de fogo de uma equipe bastante segura, mas pouco fértil depois da Copa do Mundo. Com exceção da goleada por 5 a 0 sobre a fraquíssima seleção de El Salvador, nos outros cinco amistosos a produção ofensiva esteve abaixo do esperado.

O Brasil depois da Copa do Mundo:

7/9: EUA 0x2 Brasil

11/9: Brasil 5×0 El Salvador

12/10: Arábia Saudita 0x2 Brasil

16/10: Brasil 1×0 Argentina

16/11: Brasil 1×0 Uruguai

20/11: Brasil 1×0 Camarões

Sem sofrer gols

A sequência de seis jogos sem sofrer gols é a maior da era Tite, mas três gols nos últimos três jogos também são os números mais baixos atingidos até aqui. Isso ajuda a explicar a opção da comissão técnica por escalar sua linha defensiva considerada reserva entre os 23 convocados da vez para enfrentar o Panamá, mas partir com o que tem de melhor no meio-campo e ataque.

O Panamá, verdade seja dita, não é nenhuma potência, mas deve apresentar mais resistência do que El Salvador, por exemplo. Além de ter ido à Copa do Mundo pela primeira vez na história em 2018, costuma ter jogadores mais dotados fisicamente, o que cria dificuldades ofensivas aos rivais.

Uma das razões para o ataque do Brasil ainda buscar ajustes é a troca de Gabriel Jesus por Firmino, efetivada depois da Copa do Mundo bastante ruim do jovem do Manchester City. O atacante do Liverpool vive, em seu clube, momento individual superior ao do companheiro, mas na Seleção ainda não encontrou companheiros que potencializem seu jogo e também se aproveitem de sua inteligência tática.

No Liverpool, Firmino sai da área com frequência e cria espaços para que Salah e Mané surjam e sejam artilheiros, decidam jogos. Na Seleção, ele repete o movimento, mas os atacantes de lado não têm as mesmas características dos seus companheiros de time. Neymar tem mudado a maneira de jogar, cada vez mais centralizado. Coutinho também participa mais da criação do que da conclusão, e velocistas como Douglas Costa não têm o gosto pelo gol de Salah e Mané.

Isso explica Richarlison na posição que é de domínio de Neymar. Enquanto o craque do PSG segue lesionado, Tite opta por um jogador obstinado pelo gol. A aposta é que ele possa preencher as lacunas abertas propositalmente por Firmino, com força física e técnica.

“Ele é gol, cheira gol, é jogador da última bola. Vai virar as costas (para o companheiro com a bola), ele não quer tabelar, ele quer gol”, disse o técnico sobre Richarlison no dia da última convocação. “Richarlison e Neymar são os artilheiros do Brasil pós-Copa, com três gols. Só que os três de Neymar foram de pênalti. Richarlison fez todos com bola rolando”, completou.

Outro trunfo de Tite para elevar o número de chances criadas e aproveitadas é a qualidade no meio-campo. Philippe Coutinho nunca jogou tão bem na seleção brasileira como entre 2016 e 17, quando ocupava a faixa direita do ataque e fazia o que o técnico chama de flutuação: o movimento de sair do lado para se juntar ao trio central e fazer o Brasil ter superioridade numérica e técnica naquele setor do campo.

Só que na avaliação da comissão técnica, para que esse movimento tenha efeito, o trio de meio precisa ter qualidade suficiente para trocar passes e manter a posse de bola por tempo suficiente para receber Coutinho. Desde o fim da Copa do Mundo, Tite sonha escalar o tripé que será visto neste sábado, com Casemiro à frente dos defensores, Arthur e Paquetá como armadores.

O treinador acredita que eles vão conseguir proporcionar a Coutinho a chance de flutuar e voltar a ser decisivo como nos bons tempos em que Paulinho e Renato Augusto estavam afinadíssimos.

A chegada de Paquetá à área, também naquelas brechas abertas por Firmino, também empolga. Com os pés ou a cabeça, o meia do Milan tem a finalização como carta na manga.

Continuar a não sofrer gols é, obviamente, outro objetivo nessa reta final de preparação para a Copa América. Mas como o Panamá é o rival mais frágil desta data Fifa, Tite se permite observar jogadores que, muito provavelmente, serão protagonistas num futuro próximo, casos de Alex Telles e, principalmente, Militão. Eles se juntam a Ederson, Fagner e Miranda.

Na terça-feira, diante da República Tcheca, são prováveis as voltas de Alisson, Danilo, Marquinhos, Thiago Silva e Alex Sandro, e possíveis uma ou outra troca no meio-campo para observar atletas como Allan, que estão em alta e em busca de uma vaga na Copa América.

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